domingo, 3 de setembro de 2017

VISITANDO O TRIPLEX DA CAVERNA DA LOCA DA BEXIGA EM PONTINA, DISTRITO DO INGÁ: história, memória e turismo pedagógico. Uma excelente escolha de ensinar e aprender!


Em meados do século XIX uma família abastarda adquiriu uma vasta região nas altas serras ao norte do município de Ingá que com o tempo passou a ser chamado pelo nome de Serra dos Pontes e com a chegada de mais habitantes e o progresso local está localidade passou a ser chamada Vila Pontina, passando a categoria de distrito no ano de 1994.

Pontina está localizada ao norte do município de Ingá. Limita-se ao norte com Serra Redonda e Juarez Távora, Sul e Leste com Chã dos Pereiras e Oeste com Riachão do Bacamarte.
Diante das necessidades que a comunidade do Distrito de Pontina ansiava foram fundadas duas associações. A associação dos Agricultores do Sítio Pontina e a Associação das Artesãs Rurais.
A Associação dos Agricultores do Sítio Pontina, foi fundada a 02 de fevereiro de 1992, tendo como objetivo reivindicar melhorias para os agricultores. Está a frente da presidência o Sr. Manoel Rufino Barbosa, que ocupa esse cargo desde sua criação. Através dessa associação a comunidade já recebeu alguns benefícios como eletrificação, poço artesiano, sementes, inseticida e máquinas de pulverizar.

A Associação das Artesãs Rurais de Pontina, teve sua criação em 06 de outubro de 1989, com o objetivo de dar continuidade a cultura do Labirinto e melhorar a renda familiar. A Associação já trouxe melhoramentos para a comunidade, tais como a aquisição de máquinas industriais, o que possibilitou a vinda de curso de corte e costura, como forma de aperfeiçoar e profissionalizar as artesãs envolvidas.
O distrito de Pontina, assim como outras tantas localidades do município do Ingá, é rico em história, e suas tradições ainda vivas, sobrevivem em grande parte, por intermédio da memória das pessoas mais velhas do lugar.
De acordo com Ingrid, uma das minhas alunas do 3º ano do Ensino médio da Escola Estadual Luiz Gonzaga Burity, em entrevista com os seus avós, ela nos revela uma parte da história do distrito, que ainda não havia sido escrita.
De acordo com a memória de seus avós, Dona Maria Alves Barbosa 18/05/1939 e o senhor Ismael Fernandes de Souza 02/06/1934



“A Loca da Bexiga A princípio era uma espécie de gruta, até então não usada para fim nenhum, porém quando houve um surto de bexiga, doença que atinge a pele causando erupções e bolhas vermelhas, sendo mais forte e necessitando de mais cuidados do que a catapora que nós conhecemos, gerando grande incômodo aos seus portadores, foi usada para abrigar os contagiados por essa doença. Por não terem as medicinas avançadas de hoje em dia e também por falta de lugar para o cuidado como por exemplo um hospital, essa foi a alternativa para diminuir o contágio das outras pessoas, isolar os doentes. Esses só recebiam a visita de um padre para rezá-los ou de outra figura religiosa como uma rezadeira. Deitados em folhas de bananeiras, essas eram as suas camas para o repouso. Assim ficavam esperando serem curados pela fé ou morrerem. Para aqueles que ficavam bons e desfrutavam dessa sorte, poderiam voltar para suas famílias, já para aqueles que não tiveram essa sorte, morriam na Loca da Bexiga e ficavam lá e não voltavam nem para o enterro. Por fim á loca virou uma espécie de cemitério, existe até hoje nas suas circunstâncias, guardando a história do passado e de como viviam sem os avanços da medicina as pessoas dos arredores e de Pontina. Esse pedacinho do passado que muitas vezes nos cai no esquecimento meus avós me contaram e eu acho bom lembra-lo a vocês”. (Ingrid de Souza Oliveira 01/10/1999).
Outro relato que nos mostra essa geografia do abandono e do medo, é mostrado por Alessandra.
Segundo Alessandra de 19 anos, aluna da Escola Luiz Gonzaga Burity, neta paterna de Terezinha Fernandes, de 71 anos, nascida no Sítio Pontina – município de Ingá, nos conta que, de acordo com a sua avó: “a loca da Bexiga tem esse nome porque no passado, as pessoas com bexiga eram levadas para esse lugar onde ficavam isoladas. Nesse período de isolamento, as famílias levavam comida e outras viveres para os isolados até que eles adquirissem a cura, ou até morrem”.

Os bexiguentos da loca da Bexiga viviam nus por não aguentarem usar roupas por causa da chargas causadas pela enfermidade”. A sua avó Terezinha em suas memorias relata para a neta que isso ocorria no tempo de seus avós.

A loca da Bexiga e na verdade um conjunto de cavernas sobrepostas em forma de Triplex, onde no final do século XIX, devido uma grande epidemia de varíola que acometeu a população local, foi utilizada como abrigo ou cemitério para as pessoas contagiadas pelo vírus da doença.
Em 2004, quando eu lecionava a disciplina de história na escola Frei Herculano no Distrito de Pontina, tive a oportunidade de visitar duas ou três vezes a Loca da Bexiga, buscando resgatar, por meio da memória local, parte da história do povoado.
Eu lembro que conversando com algumas senhoras, elas me informaram que os doentes eram isolados na loca para não contaminar o restante da população. E, que ninguém poderia ir lá, ou ter contato com as pessoas infetadas.
Apenas duas pessoas poderiam ir ajudar, cuidar dos bexiguentos: Um padre e uma mulher que já haviam sido contaminados e, sobreviveram a doença, ficando curados.
Além da história do lugar, a Loca da Bexiga nos cativa pela sua beleza e imponência. A natureza exuberante, os maciços rochosos, as lagoas pleistocênicas, os lagos, os açudes e rios nos fazem querer voltar sempre.
Ótimo lugar para descansar!
Excelente opção para se realizar turismo pedagógico























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