sexta-feira, 14 de abril de 2017

SEMANA SANTA NO INGÁ: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS AO LONGO DA HISTÓRIA



                                                                                                                         Por: Giancarlo


            Há mais de mil anos, segundo os Evangelhos, Jesus Cristo morria em uma Cruz e ressuscitaria ao terceiro dia. Para os incrédulos, é apenas mais um feriado. Para os cristãos, é a maior expressão de amor já vista na história da humanidade.
Foto: Giancarlo

A Semana Santa, tradição milenar entre os cristãos, principalmente na Igreja Católica, traz à tona a reflexão sobre os últimos dias do Cristo na terra. Prepara os cristãos para a grande festa da Páscoa Cristã que celebra a Ressurreição de Jesus, após ser morto na Cruz.

Foto: Giancarlo

 Mas, como era celebrada a Semana Santa em Ingá em décadas passadas? Vininha Rodrigues afirma que era bem diferente antigamente.
Dona Vininha Rodrigues

“No tempo da minha infância, a Semana Santa era muito diferente de hoje. Fazíamos o jejum na quinta e na sexta. Era bem severo. A gente tomava uma xícara simples de café, ao meio-dia tinha almoço com o pai e toda a família. Quando terminávamos, íamos agradecer a Deus por aquele jejum e não comíamos mais nada durante a tarde. Jantávamos à noite de seis horas em ponto e toda a família reunida rezava e agradecia a Deus pelo jejum, tanto na quinta quanto na sexta. Tinha a procissão do Senhor Morto, todo mundo ia no maior silêncio, ninguém se pintava, eram todas com filó na cabeça, ninguém pintava unha. Não tinha nada de vaidade. Ninguém tomava banho na quarta-feira, pois era quarta-feira de trevas. Na casa que tinha Maria, ela não penteava o cabelo. Todo mundo se confessava (confissão comunitária), os pais e a família toda. Depois da confissão, todos tinham sua penitência em oração. Todos iam pra Igreja de véu e com o terço na mão. Era um regime sério, todo mundo cumpria. Na sexta-feira santa a noite tinha o Judas no pau e todo mundo ia olhar. Era muito diferente de hoje. As orações eram severas, mas antigamente não tinha microfone. A programação todo mundo sabia. Matavam os bois para a feira, depois que encontrava aleluia”.
Já Maria de Lourdes Ribeiro, afirma que não se recorda de muitas diferenças pois já trabalhava na época, mas trouxe contribuições valiosas sobre a Semana Santa.
MARIA DE LOURDES RIBEIRO
 “Olha meu irmão, as mudanças é só nos horários, pelo menos a missa de aleluia era no sábado de manhã, que eu nunca ia porque trabalhava na padaria do meu pai e que era dia de feira. Eu perdia muito, de 15 a 18 anos de idade eu já tinha muita responsabilidade com o trabalho e fui perdendo o melhor, mas eu ia a missa de Páscoa muito bem arrumada por ser um dia de festa. A procissão do Senhor Morto tinha muito mais gente do que hoje e a mesma descia passando pela ponte, que era um perigo, dizem que caía gente da ponte, era outra ponte, mas eu nunca vi ninguém morrer por isso”, enfatizou.
Atualmente, a Semana Santa em Ingá se inicia no Domingo de Ramos com Procissão, saindo de algum ponto da cidade e Santa Missa, terminando na Matriz.
Na segunda, geralmente tem a procissão do encontro das imagens de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores.
Foto: Giancarlo

Na terça, acontecem as confissões e alguma celebração a noite.
Na Quarta de Trevas, acontece a Missa dos Enfermos e a Encenação da Paixão de Cristo.
Na Quinta-feira Santa, há a Missa do Lava-Pés, também conhecida como a Instituição da Eucaristia, adoração durante toda a noite, finalizada com a Procissão do Silêncio.
Na Sexta-feira Santa, às 4h da manhã acontece a Tradicional Via Saca pelas principais ruas da cidade. Ao meio-dia tem o Pranto de Nossa Senhora e às 15h a também tradicional Celebração da Paixão.
Foto: Giancarlo

No Sábado de Aleluia, à noite, ocorre a Missa de Aleluia e no domingo, a Missa de Páscoa.

Giancarlo

2 comentários:

  1. Gostava da festa de Outubro, da festa de São Sebastião, dos leilões e do Parque de Seu Valdo.

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  2. Tudo mudou mesmo,até o "jejum pra minha mãe jejuar" deixaram de pedir.
    As tradições estão aos pucos sendo deixadas pra trás.

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