quarta-feira, 29 de março de 2017

ZÉ RAMALHO, ET'S, LENDAS E ADIVINHAÇÕES NAS ITACOATIARAS QUE "GIRAM COMO PERGAMINHO DE FOGO!"

Monumento reconhecido mundialmente pela sua singularidade, beleza e     ousadia (elementos estes representados nas técnicas utilizadas pelo primitivo em sua elaboração), as inscrições Pedras Itacoatiaras do Ingá, desponta dentre o acervo da Paraíba como o mais importante e intrigante registro de nossa pré-história.
FOTO ORIGINAL: DANIEL ULISSES - EDIÇÃO: DENNIS MOTA

Em relação à origem das inscrições ainda há muitas divergências entre os cientistas e curiosos que estudam este monumento. A principal discussão é dúvida em relação à origem das inscrições Itacoatiaras do Ingá gira em torno de quem foram seus autores. Há suposições e hipóteses que foram os fenícios, os hititas, ou até mesmo seres extraterrestres. Porém nenhuma dessas linhas de pensamento tem respaldo científico.
A explicação mais aceitável para a presença de tal monumento no território do Ingá, é que esta tenha sido feita ou elaborada pelos nativos do lugar em tempos remotos. No entanto esta afirmação ainda é contestada no meio de tantas discussões e dúvidas que giram em torno de sua origem.


As várias interpretações e divergências em torno do monumento Inscrições Pedra do Ingá
Famosa no mundo inteiro, eleita pela Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, a sua 5ª maravilha, 2º monumento arqueológico tombado pelo IPHAN. A Pedra do Ingá disputa dentre os achados arqueológicos do Brasil, como uma das mais intrigantes e misteriosas dentre as descobertas pré-históricas do Século XX.
Apesar da importância que as Itacoatiaras do Ingá ocupam na sociedade paraibana de arqueologia, no Brasil e no mundo, o que se sabe dela ainda é muito pouco. Quem foram seus autores? Que técnicas utilizaram para a realização deste trabalho? Que datação podemos definir para afirmar a idade desse monumento arqueológico?
PEDRA ITACOATIARAS DO INGÁ - FOTO: ALEXANDRE FERREIRA

Quanto aos executores das Itacoatiaras do Ingá, as opiniões entre os estudiosos do monumento são diversas:
A pesquisadora Drª. Gabriela Martin defende que as inscrições seriam obra dos Índios Cariri.
Quem compartilha da mesma ideia, é o professor aposentado da UFCG, Josemir Camilo. Ele afirma que as Pedras do Ingá foram insculpidas há 2.000 mil anos atrás pela etnia cariri.
 
ÍNDIOS CARARI, SUPOSTOS AUTORES DAS INSCRIÇÕES ITACOATIARAS DO INGÁ

Outro renomado pesquisador de arqueologia paraibana que também concorda com essa linha de pensamento e Leon Clerot. Porém há um impedimento para a sustentação dessa tese, pois os cariris se estabeleceram tardiamente no território paraibano, ou seja, no mesmo momento em que ocorria o processo de colonização europeia esse espaço (séculos XVI – XVII).
Outro elemento que contradiz a tese desses pesquisadores e a opinião do pesquisador Balduino Lélis. Segundo Lélis, os índios cariris não sabiam o significado das inscrições existentes na pedra do Ingá, nem tão pouco tinha noção de quem às realizou.
            Para o pesquisador José Elias Borges a datação dos registros rupestres das Itacoatiaras do Ingá deve datar entre 3.000 a 5.000 mil anos, portanto não podem ser uma obra dos índios cariris, pois os cariris só chegaram à região do Ingá muitos anos mais tarde.
            Para Raul Córdula, artista plástico paraibano, as inscrições Itacoatiaras do Ingá, teriam sido obra do próprio Sumé¹, nesse aspecto os índios cariris foram apenas guardiões das inscrições. Mas se estes indígenas foram de fato os guardiões das Itacoatiaras, como explicar o fato de sua total ignorância diante o significado das Itacoatiaras?

No inicio da década de 1970, o pesquisador Marcel Hamet, estudando as ilustrações de Pereira Jr., assegurou que os registros do Ingá são obras de uma civilização magdalense, cuja idade dos baixos-relevos fixa-se entre 10.000 e 15.000 mil anos. (BRITO; 2008, p.40).

Inspirados no pensamento de Eric Von Däniken*, muitos estudiosos das inscrições Itacoatiaras do Ingá acreditam que elas foram realizadas por seres extraterrestres. Entre os crentes nesta teoria, se encontra o jornalista e ufólogo amador Pablo Vilarubia* e o professor da UEPB Antônio Carlos Belarmino.
O primeiro diz que “numa noite enluarada de frente a pedra do Ingá, teve uma visão, através de ‘projeção mental’, onde viu um índio acerca do uso de vários objetos metálico, semelhantes a pistolas, que acionados sulcava na pedra os registros”. (BRITO, 40).
O segundo diz que não há nas inscrições Itacoatiaras nenhum desenho ou símbolo que sugira o contato dos indígenas com seres vindos de outro planeta ou galáxia.  Pois suas pesquisas são relacionadas apenas as inscrições do Brejo paraibano. Portanto o seu conhecimento sobre as pedras do Ingá é muito pouco para lhe permitir emitir opinião sobre seus autores.
No meio artístico, um personagem que defende a ideia de que a pedra do Ingá é um monumento de procedência alienígena, e o cantor e compositor Zé Ramalho, que dedicou as Itacoatiaras o seu primeiro Álbum “Paêbirú” (Lula Cortez e Zé Ramalho, 1974), no qual traz músicas como “nas Paredes da Pedra Encantada”, “Pedra templo Animal” e Trilha de Sumé”.
CONTRA CAPA DO LP - PAÊBIRU - LULA CORTEZ E ZÉ RAMALHO - 1974.
Como foram feitas as inscrições Itacoatiaras do Ingá?

            Não se sabe ao certo como e quando foram feitas as inscrições rupestres Itacoatiaras o Ingá. A única coisa que podemos afirmar é que elas existem e são a prova incontestável da existência de um povo que soube marcar como nenhum outro a sua passagem pelo nosso continente e que por algum motivo se dedicaram a difícil tarefa de esculpir na fase dura da rocha um enredo, que pela técnica utilizada denuncia a sua superioridade técnica em relação a outros povos de sua época.
Segundo Vanderlei de Brito as inscrições Itacoatiaras do Ingá foram realizadas em períodos de estiagem, pois é neste momento que as águas do rio Ingá, no leito do qual se encontram as Itacoatiaras, tomam seu curso normal, fato este que deve ter possibilitado ao (s) escultor (es) seu trabalho.
QUADRO DE VANDERLEY DE BRITO
Há correntes de pesquisas que acreditam que as inscrições rupestres do Ingá podem ter sido feitas com instrumentos de metal. Um desses pesquisadores é o professor Clóvis dos Santos Lima. Ele diz que a pedra do Ingá se localiza em uma região onde há uma grande quantidade de minério de ferro, e por isso pressupõe que o ferro tenha sido usado para insculpir às figuras na pedra.
A pesquisadora Marli Trevas segue esta mesma linha de pensamento. Ela acredita que as inscrições levaram cerca de 20 a 50 anos para serem insculpidas e polidas com a ajuda de instrumentos feitos de metal.
Apesar da convicção desses pesquisadores em afirmar que as inscrições rupestres do Ingá tenham sido feitas com instrumentos de metal, é conhecido no meio cientifico que os povos pré-cabralianos não conheciam o metal ou faziam uso dele.
Neolítico ou Idade da Pedra Polida?
Definir uma datação para as Inscrições da Pedra Itacoatiara do Ingá ainda parece um problema que divide a sociedade de arqueologia e os diversos ramos da ciência que se ocupa em pesquisar e estudar o monumento.
No entanto, encontraram-se no território do município do Ingá, instrumentos, ou artefatos de pedras tecnicamente aprimorados. As pedras encontradas no Ingá são polidas e bem-acabadas.
ARTEFATOS DE PEDRA USADOS PELO HOMEM DA PRÉ-HISTÓRIA DO INGÁ

Além da caça e da pesca e da coleta, acredita-se que o homem que insculpiu as pedras do Ingá, já praticava a agricultura, fato este que possivelmente tenha possibilitado a sua fixação neste local, tornando-o sedentário. Com a descoberta da agricultura o homem do Ingá ganhou mais tempo para criar, pois a partir desse momento não era mais necessário a luta incessante pela sobrevivência e o deslocamento periódico em busca de comida. 
Com base nos instrumentos encontrados no território do Ingá, como machadinhas e outros objetos e levando-se em consideração a técnica utilizada pelo homem para insculpir a pedra. Supõe-se que as Itacoatiaras do Ingá tenham sido elaboradas no Período denominado de Neolítico, e tenha a sua datação estimada entre 5 a 6 mil anos atrás. Porém esta afirmação é difícil de ser comprovada, pois o monumento encontra-se em local difícil de realizar escavações arqueológicas (por sofrer com constantes inundações e enchentes) que comprovem a sua idade.
As Itacoatiaras do Ingá aguçam perturbam e incomodam por não se enquadrarem a um discurso ou explicação lógica de sua existência, e talvez seja por isso que ela que chame tanto a atenção e permeie de forma tão fantástica e misteriosa o universo imaginário das pessoas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário