domingo, 26 de março de 2017

O MITO


Qual Ingaense nunca ouviu falar em Burity não é mesmo?

Antonio De Miranda Burity foi prefeito do município de Ingá por três mandatos, um feito inédito até os dias de hoje. (1989-1992 / 2001-2004 / 2005-2008)
Eu fui uma criança cercada pelo fanatismo que existia ao seu governo, pelo amor dos Ingaenses a sua esposa, por isso não podia ser ao contrário, era muito fascinada pelo preto e amarelo que era as cores que representavam seu partido, 11 da cabeça aos pés.

Na minha opinião Burity é um político NATO, sabe tudo de política e de como aplicá-la envolvendo a sociedade, experiência de vida que esta em falta na atualidade. Imagine só qual foi a minha alegria ao poder pela primeira vez estar de frente e entrevista-lo com o coração, e o ouvir dizer que pra ser prefeito não deve existir perseguição, um bom prefeito é aquele que é prefeito de todos, uma batalha a ser cumprida para que obtenha uma boa administração.
Burity enfatiza que está bem fora da política e tenta não se preocupar com problemas externos, afinal ele bem merece um bom descanso.



BLOG O INGAENSE: De todos os prefeitos que Ingá já teve você é o que tem mais talento para política. De onde veio tanta inteligência, esse conhecimento que o fez administrar bem toda uma cidade?


BURITY: Defeito eu tinha muito, mas o positivo cobria o negativo, esqueceram do meu negativo (risos).  Por incrivel que pareça veio la de Serra Verde do meu pai, foi ele que passou muita cultura para mim e meu irmão Tarcísio, a gente tinha um professor em casa, toda a cultura de uma universidade, ele era professor de latim muito conhecido e reconhecido trabalhou em muitos colégios em João Pessoa. Ele era muito sábio, as 4h da manhã já estudava, uma coisa que eu usei no Ingá e foi por ele que eu tive uma percepção bem na frente. Porque veja bem o administrador tem que ser empreendedor e desprendido, nunca faça nada esperando reconhecimento, isso é importante. Muita gente começa e cai com desgosto porque não tem o reconhecimento.


BLOG O INGAENSE: Então o senhor acredita que a receita do seu sucesso como prefeito foi ver longe? Ser o prefeito do povão, pois era  assim que o senhor era conhecido. Um prefeito muito carismático.

BURITY:  Não foi só isso, foi ver longe e fazer um acordo com a sociedade, meu slogan você lembra? Meu lema era esse: Prefeitura de Ingá. Fazendo o que o povo quer. É tanto que tinha uma senhora que brigava muito comigo e dizia é fazer o que o povo precisa, que o povo não sabe de nada nao, uma mulher briguenta danada (risos), mas era isso fazer o que o povo quer um governo do diálogo, uma coisa difícil, era bem difícil isso.
Porque você para admnistrar com o povo você tem que descer da cadeira, você que é mulher tem que enjeitar o sapato alto, para sair de chinelo e discutir de chinelo, de sandália, aí você discute como uma socióloga e domina a situação, mas voce de sapato alto olhando o povo pra baixo você não resolve nada. ( Eu interrompo e dou o exemplo que ja conheco: é igual quando você se abaixa para falar com uma criança e fica no nível dela - ele diz: sim exatamente).


BLOG O INGAENSE: O que o senhor espera do futuro. O que o senhor vê no futuro de Ingá?


BURITY: Infelizmente, o que acabou com Ingá, olhe Ingá é mais antiga que Campina Grande. O que desenvolveu Itabaiana foi o entroncamento de trens, não existia rodoviária e os trens partiam de Itabaiana pra Natal, João Pessoa, aí veio o mundo rodoviário e Campina Grande tomou e apagou Itabaiana que passou muitos anos parada, quem tomou? Campina que ficou sendo entroncamento do sertão, capital, norte e sul, leste e oeste. Em Ingá, com o advento de Tarcísio, ele planejou logo as estradas de Ingá, ele  quando deixou o governo o Ingá ficou interligado a Pernambuco por Itabaiana, pra Campina Grande na BR 230 e Itatuba a Aroeira por dentro, porque Aroeira? pra pegar todo o transporte do Cariri para JP e passar por dentro de Ingá invés de vir por CG, esse planejamento de infra-estrutura que é mais caro foi feito. A energia eu consegui quadriplicar a potência, resultado infra-estrutura elétrica, infra-estrutura de estrada de rodagem e pq não consegui o resto? Porque quando eu terminei o ensino básico que quero fazer o outro não consigo mais porque deixo a prefeitura, entendeu?

Você quer saber o que eu acho do futuro de Ingá? Muito promissor porque ele é centro de 4 municipios com média de menos 15km para cada cidade e tem estrutura. Eu fiz aquele hospital um exagero pra cidade, você não acha não? Porque eu fiz para região para ajudar a abranger toda a região.


BLOG O INGAENSE: O senhor fala do prédio que hoje é a secretaria de saúde não é? Na sua opinião algum prefeito vai conseguir fazer o que o senhor queria fazer?



BURITY: Não, mais pode fazer melhor. Você sabe que ali dentro ainda tem encaixotado que eu deixei aparelhos e 4 consultórios de odontologia. Veja bem eu ia fazer um hospital, quando eu vi que não dava eu transformei em secretaria, tem aparelhos emprestados para Mogeiro, tem oftalmologia completo, câncer de seio tem aparelho mordenissimo de pré-exames que só funcionou três meses em quanto eu fui prefeito e depois que parei de ser prefeito não funcionou. Ingá tem tudo pra crescer, a infra-estrutura já está pronta. No finzinho agonizante da minha administração ainda consegui que o gás que vai pra CG ainda entrasse em Ingá, naquela estrada paralelo que vai a rua do matador, porque? porque é a estarda antiga de CG e ali é o local melhor de se fazer fábrica onde o vento vai pra lá e não polui a cidade. Infra-estrutura para fábrica tem demais. Aí você ve, estrutura para fábrica, estrada, elétrica, gás, mão de obra coisa que Ingá é rico, mão de obra qualificada. E sabe como foi isso? Os habitantes indo e voltando para Rio de Janeiro e São Paulo e eu ajudava isso é muito importante, Ingá tem tudo minha filha.



BLOG O INGAENSE: Sobre as festas, o senhor adorava fazer festas. Fez o carnaval, São João, tinha bandas que eram tradição na região. Anos de muita festa pro povo, coisa que o povo gosta. O que o senhor tem a falar sobre isso.



BURITY: Só saudade, saudade. As festas é uma necessidade. A humanidade não mudou dos tempos antigos pra cá não. O sábio diz é vinho e pão, se você der vinho e pão pra o povo ele gosta. O pão hoje é substituído pelos empregos, tendo emprego... e é uma necessidade grande principalmente para quem trabalha é chegar no fim de semana e desopilar. Porque é que se guarda o domingo? Por necessidade, o homem precisa descansar uma vez por semana. Você tem anualmente um mês de férias, tem que ter para se desligar totalmente do trabalho, e descansar. E nada melhor do que descansar com festa. Agora o segredo das minhas festas que atraia muito gente, é porque eu sou meio sacana e plagiava aqueles carnavais antigos e fiz o resgate desses carnavais, era urso toda hora, aquele batuque toda hora não era esse silêncio que é hoje no carnaval, uma necessidade humana e se você devolve ao homem aquilo que é dele, a alegria e o direito de gozar aquela felicidade aí você garante a aceitação e administra melhor a comunidade. Eu tinha um carnaval igual ao Rio de janeiro, era proibido depois de Janeiro até fevereiro os bares botarem música baiana e forró, só botava frevo e samba. Trouxe uma professora para ensinar nas escolas tecnicamente todas as danças folclóricas do carnaval, o resgate do São João era uma beleza, já na época de Junho só podia tocar sanfona nos bares para resgatar a essência da época. Daí a beleza das nossas festas e o segredo não tinha nada haver comigo eu só fazia catucar.


BLOG O INGAENSE: Pra encerrar eu gostaria de saber sobre sua esposa, você falou que ela lhe ajudou muito. Então nos diga o quanto foi importante ela estar do seu lado.

BURITY: Aí eu me emociono (com os olhos cheios d'água) - eu peco para que ele seja breve pois não quero le causar emoções fortes -
 o que gostava dela, é que ela é muito sensível, muito sensível mesmo. Ela era capaz de se arriscar fisicamente em benefício de outro.
Em 2004 aquele inverno, muita chuva o povo ligava pra ela " D. Marta, carro" -ligue pra prefeitura minha filha- "eu ligo e ninguém atende" - e o que é inha filha?- A mãe tava parindo e não tinha como levar pro hospital,imediatamente ela perguntou o local era depois de Serra Verde, foi na praça não tinha carro, só chuva e água em todo canto, ela pegou a caminhonete, pois ela foi sozinha nem abridor de porteira tinha, 12:30 da noite dirigindo e trouxe a mulher.
Vou dizer o que aprendi com ela, se ela fosse pra o meio de pessoas humildes, ela trocava de roupa, pegava a roupa mais simples, ela dizia que ir arrumada humilhava e ela queria estar de igual para igual, não ostentava riqueza, nem boa vida. Eu aprendi e isso era uma verdade, tanto que quando eu era delegado do trabalho e ia para solenidade, usava roupa preta gravata e terno, com motorista abrindo porta e banco traseiro do carro, aí se tivesse reunião eu nem ia porque eu tava muito arrumado e é mesmo que ta pisando no povo, isso tirei dela. Esse problema de transporte, ela sempre pegava o carro e emprestava escondido de mim. Porque eu não deixava? Porque meu carro particular, eu velho e ela velha tinhamos a imunidade baixa e estavamos expostos pois geralmente ia com pessoas doentes pra João Pessoa, mas ela mandava sabendo do risco. Outra vezes dava a vaga dela e ia de ônibus, que dizer é uma dedicação tamanha.

Nós do BLOG O INGAENSE agradecemos a oportunidade de saber mais sobre suas idéias e história de vida. Foi prazeroso, uma entrevista que TODOS deveriam ler.

Obrigada Burity




5 comentários:

  1. Os Burity's um casal que era e é a cara do povo de Ingá.
    Obrigado eterno Prefeito de Ingá,Antônio Burity...
    Do filho de coração.
    Ramiro

    ResponderExcluir
  2. Me emocionei com essa entrevista. Saudades desse eterno prefeito de Ingá. Foi um prazer trabalhar com ele em sua última gestão. Aprendi bastante!!!

    ResponderExcluir
  3. como ingaense tenho orgulho de saber que temos um professor igual ao Alexandre que faz,narra e mostra para o mundo a historia de ingá . parabéns . Ismael da silva Oliveira que vos escreve

    ResponderExcluir
  4. Me emocionei com estas palavras do tempo em que o mesmo relata: "o povo", foi o período em que os profissionais ingaenses eram bem valorisados e aproveitados, nao existia o partidarismo, mas o profissionalismo, como ele mesmo falou ingá é rico em estrutura e mao de obra.

    ResponderExcluir