segunda-feira, 27 de março de 2017

O DOSSIÊ DA PASTA ROSA - Capitulo VI: “...eu transava com ela em troca de presentes e mantinha um caso secreto com um garoto aqui do Ingá...”


“Depois da primeira tentativa frustrante de transar com mulher, eu não pude deixar de tentar novamente, não que eu encontrasse prazer em fazer aquilo, mais pelo simples fato de provar para mim mesmo que eu era capaz. Com a mesma menina da primeira vez frustrante, cheguei a transar umas cinco vezes. Ela ficou louca por mim! Me dava presentes..., eu chegava a transar com ela em troca de caixas de bombons da Garoto, por perfumes do Boticário, por roupas.... Eu com as minhas dúvidas e interessado nos presentes que ela me dava.


Eu a levava para minha casa, e agente transava. Eu me excitava com a situação. Até que chegou ao ponto de um dia eu falar para ela que não era aquilo que eu queria, eu gostava era mesmo de homem. Na época eu transava com ela em troca de presentes e mantinha um caso secreto com um garoto aqui do Ingá (hoje ele é casado e tem filhos). Quando eu pus fim a esta situação, ela se desesperou, mais depois de muito tempo aceitou. Apesar de continuar louca por mim.
Com o tempo, veio uma amiga minha com a qual eu me envolvi. Neta muito cheia de fogo, muito fogosa! Tanto me tentou que começamos a namorar. Nós fazíamos parte de uma mesma turma de amigos e amigas. E, eu me envolvia na turma não pelas amigas, mas, por eles. Os meninos desconfiavam que eu era viado, mais mesmo assim, me respeitavam. Eu só tinha olhos para eles, elas pouco me interessavam.
Neta sabia que eu era gay, mas, mesmo assim queria me mudar. Ela dizia: “não é assim! Você e homem! Eu posso te fazer homem. E, a partir daí comecei a namorar com ela, mas não transamos. Gostei dela. Gostei muito dela. Talvez tenha a amado!
Eu falei para ela que eu tinha um caso com um garoto a muito tempo. Mais ela não ligou, já tinha se apaixonado por mim! Quando nós íamos a pracinha e sentávamos no banco da praça para namorar, os garotos que eu mantinha casos extras passavam por nós e comentavam: ‘Olha lá o viado namorando! E, eu falava para ela: você sabe que eu sou viado!  Ela pedia que eu não me preocupasse. Ela sabia com quem eu me envolvia, de quem eu gostava. Eu contava tudo para ela, e mesmo assim ela continuava comigo. Ela era apaixonada! Mesmo sabendo de tudo, ela continuava comigo na esperança de me mudar.
Como homem, eu não me achava bonito. Me achava esquisito. As pessoas comentavam que eu era bonito.
Relacionamento com mulheres? Eu tive três. Dessas três, transei apenas com uma. Pro momento foi uma sensação boa. Mais não era aquilo que eu queria! No dia seguinte a transa eu me sentia ridículo! Tive nojo de mim! Me senti ridículo por ter transado com uma pessoa que não era com quem eu gostaria de estar e de como estar. Mas, apesar de tudo, com o tempo eu me senti bem porque eu provei do outro lado e vi que aquilo eu não queria, disto eu tive certeza. Antes de transar com mulher, eu já sabia que era gay, mais eu queria me mudar. Eu queria me esconder, me enganar. E o que me forçava agir dessa forma era a sociedade Ingaense, a minha família, a religião. A minha mãe e muito religiosa.
Eu me sentia perdida e procurava um caminho certo. Eu na verdade já sabia qual caminho tomar. Mas o que parecia certo para mim, para as outras pessoas era feio, errado, inaceitável. Por tudo isso, eu era forçado a passar para as pessoas uma coisa que eu não era, mesmo que isso significasse pisar em mim e nas minhas vontades.
Eu desejava os homens! Desejava todos os homens que de alguma forma eu me relacionava. Só tinha olhos para homens.
Eu ficava na maior saia justa quando precisava ir ao banheiro masculino (na escola ou em qualquer lugar). Eu me sentia acuado, ameaçado, com aqueles homens urinando, com seus pênis enormes saindo pela braguilha das calças...muito forçadamente, eu desviava o olhar e saia do banheiro. O meu desejo era continuar naquele lugar que me punha medo e ao mesmo tempo tanto me excitava. No entanto, eu tinha medo que alguém percebesse e me fizesse assumir uma posição sexual, que na realidade eu, ainda não estava pronta a aceitar.
Dentro de toda essa confusão sentimental, estavam as minhas duas namoradas. Ao mesmo tempo, eu namorei Camila e Neta. Até hoje eu me questiono o porquê que me levou a fazer isso.
Apesar de namorar as duas, eu nunca deixei de ficar com homens. Já tinha um homem certo para ficar. Eu não gostava dessa situação. Tudo aquilo me fazia muito mal. No entanto, apesar de tudo, para mim a situação tornou-se cômoda. A parti daí, passei a usa-la como pretexto para esconder a minha homossexualidade e, do mesmo modo calar a boca das pessoas que me chamavam de viado. Ora! Se eu era gay, então porque tinha duas namoradas?
O garoto que eu tinha um caso na época, sabia das duas e me ajudava a suportar aquela situação. Ele é homem! Hoje é casado e tem filhos. Ele falava: ‘Não! Para mim tudo bem! Pelo menos as pessoas não irão saber de nós. Jamais irão descobrir! Eu acho isso legal. Ele aceitava numa boa, mais eu não consegui suportar por muito tempo e terminei o relacionamento com as duas. Consegui falar a verdade para elas sobre a minha sexualidade, e pus fim ao martírio. Eu lembro que isso aconteceu alguns dias depois da morte de meu pai.
Eu falei para elas que gostava das duas, mas não como mulher. Expliquei para elas que o motivo que me prendia aquela situação não existia mais. Estava morto, que era o meu pai. Então, não tinha mais sentido levar aquela situação adiante porque eu já tinha escolhido o caminho a percorrer, e, elas não estavam incluídas nele. não como mulher! Porque, agora eu sabia –sempre soube – o que eu queria, o que eu era. E pela primeira vez, eu me senti forte, sem medo, e, totalmente livre para buscar a minha felicidade.”


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