quinta-feira, 16 de março de 2017

DE CUMIM À FAVA PURA: a história das "assombrações sexuais" na Vila do Ingá!

A sexualidade dentro dos padrões da normalidade da sociedade judaico-cristã, sempre foi vista como algo pernicioso e degenerativo da ordem, da moral e dos bons costumes. Por isso as prostitutas, os xibungos, as adulteras... até pouco tempo atrás eram relegados a marginalidade, a exclusão e a toda gama de preconceito e maldade que uma sociedade carola e falso moralista poderia dispor.



O Cadeirudo, da novela a Indomada

Nessa sociedade, mulher separada era QUENGA! Moça deflorada! Era QUENGA também!
Moça deflorada, desonrada, filha de rico, tinha duas escolhas: ou o pai processava o deflorador dizendo que ele estava mentido para tirar proveito da fortuna que a filha iria herdar! Ou ela era colocada no convento para se tornar “NOIVA DE CRISTO”!
Quando o defloramento acontecia com filha de pobre, a mãe ia logo pra delegacia, “DAVA PARTE”. O delegado instaurava um processo para apurar a perca da honra da moça ofendida.
A perícia para detectar o crime era feita na casa do juiz, com a ajuda de dois cidadãos de conduta” ilibada” da sociedade Ingaense.
Na casa do meritíssimo, a moça era colocada em cima de uma mesa. Suas pernas eram arqueadas, e o procedimento era feito literalmente na “DEDADA”. Raramente uma moça pobre deflorada casava, pois haviam das negociações, um outro processo que corria à revelia para provar a mau conduta da moça.
Houve um caso em 1934 aqui no Ingá, que um filho de uma família tradicional deflorou uma menina pobre e não quis casar.
Houve o andamento do processo. E, alguma coisa haveria de ser feita para restaurar a honra e o futuro da pobre menina deflorada. Vale ressaltar que o casamento era a única forma ou maneira de devolver a honra a família. Porém nesse caso, houve uma outra maneira:  O MARFAZEJO DEFLORADOR, juntamente com sua família, propôs a mãe da denunciante um ACORDO:  daria a menina uma casa de tijolos, uma vaca leiteira, uma carroça, um burro e quinhentos contos de reis, caso a mãe da moça desistisse do processo. A mãe aceita. O processo foi encerrado, e a menina teve sua “hora restituída” com os agrados que recebeu.
Porém nem tudo estava perdido! Nessa sociedade Ingaense de “RICOS E VIRTUOSOS” houveram sim xibungos casados e enrustidos! Houveram sim as GUENGAS casadas que não saiam do pensamento e nem da boca dos cachaceiros do BAR DE MOTA!
NÃO POSSO REVELAR A FONTE! Mas me foi confidenciado que em meados da década de 1950 nas redondezas da rua do IMBOCA (aproveitando-se que a luz do Ingá nesse período era a motor e ficava acessa das 18 às 22 horas da noite), elementos ocultos (aproveitando da ausência dos maridos que por falta de trabalho e das condições impostas pela seca, deixavam suas mulheres sozinhas e seguiam para o brejo com o intuito de " trabalhar na palha da cana”), atacavam as mulheres, tentando manter com elas contato sexual.
As pobres mulheres se defendiam como podiam! Mas parece que O GRITO por socorro ou como forma de denunciar o invasor nunca foi usado por elas!

O Cadeirudo, da Novela a Indomada


As “molestadas” nunca conseguiram identificar os “tarados”. No entanto, todas as ‘vítimas constipadas’... AO SEREM INTERROGADAS, repetiam a mesma frase pronunciada pelo tarado, que segundo elas, A PROFERIA ritualmente no momento que atacava.
Um dos tarados ficou conhecido por “FAVA PURA”, pois ao imobilizar suas vítimas ele dizia: “MEU NOME É FAVA PURA! NA CASA QUE NUM TEM HOME EU SIRVO DE MISTURA! ”
Outro tarado conhecido nas redondezas do Imboca era “Cumim e seu cartão de visita era a frase: “MEU NOME É CUMIM! NA CASA DE QUE NÃO TEM HOME EU FAÇO MEU NIM!”
Sobre o tarado Sebão, as mulheres atacadas não relataram frases ditas por ele. Só acrescentaram que ele era muito oleoso, ou seja, escorregadio.
Todas as mulheres atacadas eram casadas. Os tarados nunca foram identificados.
Pois é! Haja imaginação e jogo de cintura para se manter digna e honrada dentro de uma sociedade...

Contrariando a ordem cronológica das novelas globais, onde o CADEIRUDO E A MULHER DE BRACO são identificados nos capítulos finais... aqui no Ingá a caça a COMIM e a  FAVA PURA ainda vai dar muita mistura!!!!!
Nesse contexto, o que fica de verdade da ficção é que as assombrações são sempre os VIVOS!!!


A Mulher de Branco, da novela Tieta.

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