sábado, 18 de fevereiro de 2017

CARNAVAL NO INGÁ: da monarquia à república, a trajetória de um reinado de folia.

Quando nós falamos em carnaval no Brasil, nos deparamos com uma multiplicidade de representações ritos, cantos, danças, mitos, imaginário... e, indubitavelmente nos impregna de cultura.
Apesar de ter as suas origens na cultura judaico-cristã, o carnaval nos trópicos, especialmente no Brasil, assume características ímpares e singulares. Basta lembrar do samba do Rio de Janeiro, do boi garantido e do caprichoso em Parintins-AM, do samba de crioula, no Estado do Maranhão, do frevo e do caboclo de lança, no Pernambuco-PE.
            No Ingá-PB, podemos apontar como as primeiras manifestações carnavalescas da Vila, a presença do rito e da musicalidade advinda da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, existente na Vila do Imperador desde o ano de 1855. Era dessa irmandade que nasceu os cantos e os gingados do carnaval do Ingaense.


Figura 1: Mapa das festas negras na Paraíba do século XIX.
          As vozerias, as cantilenas, os batuques, os entrudos eram características musicais dos negros irmãos de N.S do Rosário. De início, a música servia apenas para animar as cerimônias religiosas tais como casamentos e funerais. No entanto, com o passar do tempo, a música que antes assumia um papel de sagrado, agora alegrava o profano.
         Da transição do Império para a República no Brasil, as vozes que se ouviam, os cantos que embalavam as danças e os ritos eram oriundos da gente da África. Até porque em uma sociedade onde os espaços de lazer privados eram praticamente inexistentes, pular na rua, se melar com farinha ou lama era coisa de camumbembe, de mundiça, de negro ou escravo.
       No Ingá da primeira metade do século XX, o carnaval vai se popularizar e se elitizar, a partir do surgimento de várias bandas marciais. De acordo com Zilneide Barros Matias, “em Ingá, as bandas marciais existem desde o final do século XIX. As primeiras foram à banda Maria Luiza e a Joana Cabral”.
       Foi a partir do surgimento das bandas marciais que ouve uma verdadeira revolução na história dos carnavais do Ingá.
       De acordo com entrevista realizada com o senhor José Lira, em 2013, os Armazéns dos Borba e dos Mota, eram responsáveis por custear e divulgar o carnaval aqui no Ingá na década de 1940. Nesse período o carnaval do Ingá era conhecido em toda a região.
      A nossa orquestra era uma das maiores e melhores de todo o Estado da Paraíba. Nos anos em que o carnaval era sucesso e mostrava todo o esplendor de uma sociedade, a banda marcial era o seu principal instrumento. Regida pelo maestro Cazuzinha, a Banda 31 de março fazia sucesso inclusive em estados vizinhos, ganhando dois concursos de banda (em 1° lugar), na cidade do Recife-PE.
            No carnaval do Ingá da década de 1940 e anos posteriores, a Banda 31 de março era o combustível que movia os principais blocos da cidade. Dos quais podemos citar: Os Caboclinhos, os Marinheiros, o Silencioso e o Beija-flor.

Figura 2: Banda 31 de marco, fundada em 31 de março de 1933, 
pelo maestro Cazuzinha.
           Cada um desses blocos possuía uma sede e tinha como responsável alguém que ficava a frente da organização.
O Bloco Silencioso tinha como Responsável José Luiz de Souza, comerciante local, proprietário de uma famosa Padaria (esse senhor era pai de Dona Rizomar, mãe do ex-prefeito do Ingá, Carlos Mendonça).
O Bloco do Beija-Flor era dirigido por um carnavalesco nato (Acurso). Este senhor já de idade, se diferenciava dos demais participantes pela alegria e extravagância com que brincava o carnaval.
O Bloco dos Caboclinhos era dirigido por Harnold. Ele tinha como profissão, motorista aqui no Ingá. Trabalhava no Recife, mas com o tempo passou a trabalhar de vez aqui no Ingá.

Por último, mas não menos importante, o Bloco dos Marinheiros era custeado pelo armazém de Seu Mota.

Figura 3: Foliãs em frente ao antigo clube do município do Ingá-PB.
O Clube era ali onde ficava a Casa de seu Manoel Cândido, onde hoje se localiza a Ótica Morumbi. A rua do Rosário (atual rua presidente João Pessoa), no período de Carnaval era entre os Mota e os Borba.
Figura 4: antiga rua do Rosário, espaço onde acontecia os desfiles de blocos de carnaval, 
onde também era situado o clube local, hoje Rua Presidente João Pessoa.

No final de cada dia de carnaval, o chão da rua ficava forrado por mais de um palmo de confetes e serpentinas e lança perfume.
Quando a orquestra tocava ninguém ficava parado.
Nos primeiros anos da década de 1950 até meados da década de 1980, o Carnaval era um dos eventos mais comemorados dentre as festas realizadas no Clube A União Cultural Ingaense. Neste momento a elite se reunia para festejar esta data com muita alegria regada a lança perfume e fantasias coloridas acompanhadas por confetes e serpentinas.
Figura 5: Clube União Cultural Ingaense, em 1950.
Antes da fundação do Clube União Cultural Ingaense, a sociedade comemorava o Carnaval em blocos que saia pelas ruas do Ingá, animado pela música das bandas marciais do lugar, entre elas a Banda 31 de Março, as moças se divertiam ao som das bandas... extasiadas de lança perfume.
Nas décadas de 1980, 1990, até os dias atuais, são os poucos ursos, catirinas e bois bumbas que ainda sobrevivem na cidade.
Figura 6: o Boi, a burrinha e os caboclinhos de seu Mario Boi, no carnaval de 1979.
No governo municipal do ex-prefeito Antônio de Miranda Burity, o carnaval municipal, defendia como tema principal, o Carnaval “Abre Alas”, se destacando por valorizar os Caboclinhos, Boi Bumba, Ala Ursa, bem como procurar despertar na população a valorização das marchinhas de carnaval.
Na década de 1995, como proposta alternativa de brincar o carnaval com familiares e amigos, surge o BLOCO JACAREMA, o qual este ano está completando 22 anos de existência.
Bem mais recente, porém embasado com a mesma euforia carnavalesca, surge na segunda década do ano 2000, o BLOCO AZULÃO, idealizado pelo então prefeito Manoel da Lenha.
Além desses blocos que já fazem parte da história carnavalesca do Ingá, com o decorrer do tempo, foram surgindo outros blocos tais como O RISCA FACA, o BLOCO STYLO MANIA, o bloco católico carismático MAGNIFICAT.
O bom de todas essas inovações, são as opções que o folião ingaense dispõe para brincar o Carnaval.
Viva ao carnaval!
Viva corte do Rei MOMO e das Arlequinas!!
Figura 7: Bloco O Azulão, fundado pelo atual prefeito do Ingá, Manoel da Lenha, 
 Foto: ingaflashvip
Figura 8: Bloco o jacarema, fundado em 1995 por um grupo de jovens Ingaenses. 


Figura 10: cartaz do bloco Magnificat.
Figura 11: foto atual do Clube União Cultural Ingaense.
Figura 9: Ótica Morumbi, local onde no passado (1940), funcionou o primeiro clube do Ingá.


Um comentário:

  1. Interessante,na rua que moro tb tem o bloco os Meladinhos do Big Bar.

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