domingo, 14 de novembro de 2021

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO INGÁ - CASA JOÃO MARTINS DE ATHAYDE

 

Hoje, dia 14 de Novembro de 2021, as 18:30 iniciamos uma reunião junto aos membros do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO INGÁCasa de João Martins de Athayde, para deliberar sobre os últimos detalhes dos documentos de fundação da referida instituição.

Respeitando o momento de pandemia que vivenciamos, achamos por bem realizar a reunião de forma virtual, através do Google Meet.

Participaram dessa reunião, os seguintes membros:

·         ALEXANDRE FERREIRA;

·         JOSÉ BATISTA DE LIRA NETO;

·         IZAAK EMANUEL NUNES COSTA;

·         MARCELO BEZERRA DO NASCIMENTO ALEXANDRE;

·         JOSELMA DO NASCIMENTO LIMA MONTEIRO;

·         RUI DA SILVA BARBOSA;

·         MARCIANE SILVA AMBRÓSIO BENÍCIO;

·         CHRISTIANE RAMOS BARBOSA DE PAULO;

·         NADY JAKELLE QUEIROZ DIAS.

No momento ouve indicações e votação para cargos e outras discussões em torno da Ata de Fundação e adequações (acrescimentos e subtrações) no Estatuto do Instituto Histórico e Geográfico do Ingá – Casa de João Martins de Athayde.

Sem mais o que discutir, a reunião se encerou as 20:10 minutos do mesmo dia.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO INGÁ - CASA JOÃO MARTINS DE ATHAYDE

        Como falar do Ingá, sem se lembrar da luta de tantos, sem se dar conta da força, daqueles que viveram e vivem pelo Ingá? Daqueles que, sem pretensão alguma, deram seu sangue pela valorização de seu lugar, pelo reconhecimento, pela continuação e avivamento de seu povo?... É movido por esse embalo que há muito nos precede, que o Ingá vê despontar um novo sol, disposto a abrilhantar ainda mais esse compasso, tomando pelos braços aquilo que É e que não cessa em dizer "estou aqui!". Sendo assim, é chegada a hora que o povo ingaense recebe, como fruto de seu progresso, os primeiros passos do tão sonhado e esperado, Instituto Histórico e Geográfico do Ingá; o queridíssimo IHGI.
 

        Além de visar a preservação do patrimônio material e imaterial do município, o IHGI busca o desenvolvimento de estratégias voltadas à educação, à produção histórica, cultural... conhecimentos estes que são indispensáveis ao fomento de uma sociedade estritamente democrática, de seres pensantes e comprometidos com a coletividade. 
         
         E por falar em comprometimento, cabe aqui ressaltar alguns nomes: Alexandre Ferreira, por sua incessante busca pela verdade, ligada ao seu exímio sentimento de pertence ao Ingá; Marcelo Bezerra, por sua implacável pesquisa acerca das sociabilidades na antiga estação ferroviária do Ingá; Neto Lira, pelo resgate histórico do Ingá como município exemplo da produção algodoeira da Paraíba; Joselma Monteiro, pelo olhar glamoroso sobre o clube A União Cultural Ingaense; Zilneide Matias, pelo despertar sócio-histórico sob o alvorecer da Banda 31 de Março; Rui Barbosa, por sua indispensável pesquisa sobre as migrações ingaenses, voltadas ao trabalho e à sobrevivência; Marciane Ambrósio, pelo reavivamento histórico da identidade e cultura da Festa das Rosas do Ingá; Nady Jakelle, por sua chegada e contribuição sociológica mais que bem vinda ao projeto; Christiane Ramos, pela disponibilidade e apoio inigualável nos trâmites legais do Instituto; e por último e não menos importante, o prefeito Robério Burity, que desde o início nos surpreende com o seu olhar e abertura a um projeto que vem pra ficar, e que vai para além das gerações ingaenses. A todos vocês, o nosso muito obrigado.

            Ingá-PB, 10 de novembro de 2021.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

ANIVERSÁRIO DE 181 ANOS DO INGÁ: CERIMÔNIA DE LANÇAMENTO DO LIVRO INGÁ: Olhares Sobre a História

 

Boa noite Ingaense! Passando aqui neste espaço que é nosso para agradecer a toda a população ingaense pelo presente que trocamos e ao mesmo tempo recebemos no aniversário de 181 anos do nosso Ingá. Ainda estou em estado de êxtase... ainda sem acreditar no que ocorreu hoje (03 DE NOVEMBRO DE 2021) no Clube A União Cultural Ingaense.

Hoje, presenteamos o povo do Ingá e fomos presenteados com o lançamento do nosso livro: INGÁ: Olhares Sobre a História, um livro que traz o olhar de vários autores sobre a história do nosso município.

Eu como autor e organizador da obra, gostaria aqui de externar a minha alegria em poder compartilhar este trabalho com pessoas tão competentes e ao mesmo tempo dotadas de tão grande sensibilidade, quando se propuseram a escrever sobre nosso lugar. 

Gostaria também de agradecer a confiança depositada quando a mim foi confiada a organização do volume. Sem você: Izaak Emanuel Nunes Costa, nosso editor, não haveria capa, transcrição, diagramação e correção ortográfica; Sem você, Rui da Silva Barbosa, nosso Geógrafo, não teríamos neste livro, um capítulo que trata da MIGRAÇÃO INTERREGIONAL, TRABALHO E SOBREVIVÊNCIA: UMA ABORDAGEM SOBRE A MIGRAÇÃO INGAENSE PARA CIDADES CATARINENSES; 

Sem  a sensibilidade de Marciane Silva Ambrósio Benício, que trata em seu capitulo: CAMINHOS DA HISTÓRIA, NOS RASTROS DA MEMÓRIA: CULTURA E IDENTIDADE NA FESTA DAS ROSAS DE INGÁ, 


seria difícil entender os festejos da festa das rosas do Ingá;  Sem Joselma do Nascimento Lima Monteiro que discute: VELHOS TEMPOS, VELHOS DIAS: ERA DO GLAMOUR NO CLUBE UNIÃO CULTURAL INGAENSE, 



não seriamos capazes de entender os porquês da formação dessa sociedade e do clube; Sem a pesquisa de Zilneide Barros Matias, -  DA ALVORADA AO CORETO, O SILÊNCIO DA BANDA 31 DE MARÇO ( INGÁ-PB) eu apesar de ser ingaense de nascimento, não teria percebido a beleza e a importância da Banda 31 de Marco para o nosso município; 

Sem José Batista de Lira Neto, com sua pesquisa: O MUNICÍPIO EXEMPLO DO PROGRAMA ALGODOEIRO DA PARAÍBA (1936-1960) sobre a Anderson Clayton, ainda saberíamos muito pouco sobre o assunto; 



Sem Marcelo Bezerra do Nascimento Alexandre, com sua pesquisa de tema: EMBUÁ DE FERRO: SOCIABILIDADES NA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DO INGÁ (1936-1985).

Por fim Eu, Alexandre Ferreira, que fiz o capitulo inicial e o capítulo final desde livro: SITUANDO E LOCALIZANDO O MUNICÍPIO DO INGÁ – PB; O PODER PÚBLICO E A CONSTRUÇÃO DO INGÁ TURÍSTICO: UMA ETIQUETA CÔMODA.

Por fim, e em primeiro lugar gostaria de externar a minha admiração e GRATIDÃO ao prefeito Robério Burity e a primeira dama do nosso município Sandra Burity, pela sensibilidade e sabedoria em acolher tão importante projeto, que significa além de tudo o reconhecimento, o registro e o regate da história de todo um povo. Nosso povo....

Sem você Berin, nós continuaríamos sonhando. Você nos possibilitou. Nos fez acreditar que os sonhos podem se tornar realidade sim. E que não existe sonho impossível quando se sonha em conjunto e com o outro.



Gostaríamos de agradecer imensamente aqui também, e principalmente os nossos leitores, a todos os ingaenses. Esse presente é nosso. É meu, é seu, é de todos nós. Aproveitem!

Por último, gostaríamos de externar a nossa gratidão as pessoas que se fizeram presentes no lançamento do Livro INGÁ: Olhares sobre a história, em especial, ao nosso prefeito Robério Burity, a primeira dama Sandra Burity, A nossa Vereadora Mana, a minha gestora Rosimery Ramos Mascaranhas, a Vice-governadora do estado da Paraíba, Dra. Lígia Feliciano, o Deputado Federal Dr. Damião Feliciano, Deputado Estadual João Gonçalves, Prefeito Municipal, o Vice-prefeito da cidade de Mogeiro, Zé Neto. A Secretaria de Educação, na pessoa de Walbênia Andrade, a Secretária de Saúde Virgínia, ao Padre Mário e a todos os amigos queridos presentes na ocasião.

Tudo isso, sem esquecer do magnifico prefacio feito pelo Meu queridíssimo professor Durval Muniz de Albuquerque Junior.

Minha GRATIDÃO! NOSSO MUITO OBRIGADO!

Parafraseando Fernando Pessoa: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce!

FOTOS DO EVENTO DE LANCÇAMENTO DO LIVRO: INGÁ: Olhares Sobre a História.

























terça-feira, 30 de março de 2021

Leiam na Integra a entrevista concedida pelo Cangaceiro Ingaense, ZÉ DE TOTÔ, ao Diário de Pernambuco, no momento de sua prisão em 21 de maio de 1944.


"Dramática história de um bandoleiro do Nordeste

Como apareceu Zé de Totô no cartaz do crime- muita calma no rosto indecifrável- livrando-se de emboscada e Armando algumas outras - o assassino de sua primeira mulher- trabalhando e dormindo no mato -traído pelas mulheres e levado pelos amigos- sua prisão em Campos Sales no Ceará

João Pessoa, 17 (Agência Meridional) - José Afonso de Oliveira, vindo de São João do Cariri, onde nasceu, chegou ao Ingá com 13 anos. Não trazia armas, mas aos primeiros contactos com Manoel Amaral, chefe político de fama e de coragem em Ingá firmou-se como um homem capaz para servir de guarda-costas.

Nasceu em 1897 e era filho de Justino de Oliveira e li piscina de Oliveira Lima, agricultores em São João do Cariri.


Produto do Ingá do Bacamarte

 Fugiu José Alonso de Oliveira às marcas e estigmas fixados pelos criminalistas. Não tem anomalias do craneo e da face, nem mandíbulas prognatas, nem orelhas assimétricas. A sua fisionomia, entretanto, engana o melhor observador e à sua frente ninguém pensa que realmente se trata do Zé de Totô, a figura sinistra do Nordeste. No seu rosto pardo, nublado, absolutamente insensível, apenas os olhos falam demais. No decorrer do interrogatório é que ele se mostra todinho. Os olhos que não apresentam vivacidade, ao calor das perguntas, tomam um brilho surpreendente e parece extravasar todo o ódio que o animou ao Crime durante 40 anos. Sente-se que aquele homem podia ter sido um homem honesto se vivesse em outras terras. Toda a sua história gira em torno de questões de terras arrendadas entre fazendeiros poderosos, movimentos eleitorais, choques armados entre senhores feudais produto puro do meio. Ingá não é ambiente para homens pacatos e simples. Hoje é uma cidade bucólica. Outrora agitada por encontros mortais entre inimigos de ferro e fogo. Ingá era a terra do amor e do ódio. Chegou até os nossos dias com o apelido que o define INGÁ DO BACAMARTE -  a voz do Bacamarte era mais poderosa que a que a justiça, que o direito. As soluções pacíficas não serviam aos senhores de terra. Uma região acidentada cheia de serras e de grutas serviu de clima ideal para a proliferação do crime. Era o habitat maravilhoso para os homens de espírito aventureiro que ignorantes e rústicos aos primeiros atritos com a lei, tornavam-se bandoleiros assaltando, roubando e matando em nome de princípios que não conheciam, mas a serviço de instintos incontroláveis feras humanas soltas como as de Hitler.

Zé de Totô encontrou em Ingá um ambiente propício ao seu espírito. Logo se destacou como um atirador de fama. Sacudindo um limão para o alto, espatifava-o com uma bala. Isso servia Manoel do Amaral estava bem protegido contra inimigos políticos ou quaisquer outros... Era assim o Ingá de outros tempos.

Ligeiro intermezzo assinala a sua ausência de Ingá na sequência de sua vida acidentada e cheia de sangue e mortes. De 1902 a 1912 ganhou dinheiro com a alta da borracha, trabalhando no Amazonas. Foi até ali em companhia de seu patrão o Coronel Manoel do Amaral. No inferno verde cometeu das suas, mas ninguém sabe ao certo o que se passou com ele, dizendo-se que exterminou uma família inteira composta de 12 pessoas, para herdar uma propriedade. Ganhou dinheiro no Acre e com 25 anos fixou-se definitivamente no Ingá. Logo depois, em 1915, por questões de terra entre grandes senhores, matou um morador da família Trigueiro Lins. Essa família exerce na vida de Zé de Totô grande influência. Os Trigueiros então sempre em luta contra Manoel do Amaral e Zé de Totô não brinca com os cabras dos Trigueiros. Foi não foi o Bacamarte está em ação e vão caindo algumas vidas. Até a sua mulher Maria Gonçalves e, na intimidade Lia, entra no ódio de seus inimigos. Em 1918, Lia foi alvejada por vários homens de identidade desconhecida para nós, mas não para Zé de Totô que logo depois, tomando na estrada com Antônio Batista, Manoel Batista e Francisco Mendonça moradores na fazenda dos Trigueiros bate mão ao Bacamarte e trava uma luta tremenda. Com um pouco de modéstia ele vai contando. Pulando para aqui e para ali, desviando-se de um golpe de foice de uma peixeira de um tiro certeiro, aos poucos põe em debandada, o grupo, deixando, entretanto, impossibilidade de fugir porque já se achava morto um deles, o Antônio Batista.

 Três meses depois estava absolvido. Pela morte de gente ruim o júri nunca condenou ninguém. na épocas que foram e que ainda hoje revivem quando se focaliza tipos como Zé de Totô. E quem tinha coragem de condenar Zé de Totô?

Na trilha do crime

Os tempos vão passando. A mesma vida. Luta com uma luta com outro, mais uma morte, menos uma morte, tudo era natural em Ingá do Bacamarte e os jurados conheciam de perto o ambiente. Tudo ficava impune em 1928, entretanto, o monstruoso crime de Lagoa do Remígio fez a justiça se movimentar. Tinha sido assassinado a tiros, dentro de seu próprio estabelecimento, o Coronel João Soares Chefe político de renome e cheio de amigos. O Coronel João Soares foi morto com um filho. Os bandidos em pleno dia de feira cercaram a sua casa e nada pouparam. Sabia-se que tinha sido um assalto organizado por Zé de Totô. Cumprem pena na cadeia apenas o famigerado Pilão - autor de várias mortes -  José Vieira, vulgo Rebuliço e mais uns 10 homens assalariados sem fama. Zé de Totô negando sua participação nesse crime não explica bem as coisas e Coincidências onde a sua figura aparece entre Pilão e seus companheiros horas antes do crime. Vieram outros assaltos na estrada de Cachoeira de cebolas, o fazendeiro Domício Leopoldo de Andrade é assaltado. Apezar de morto o motorista do seu Ford o Coronel Domício consegue fugir gravemente ferido.

Diferente de Lampião e Antônio Silvino

Zé de Totô continua negando a participação nos assaltos em que Pilão e Zé Luiz Aparecem. Mas a polícia sabe de tudo. Zé de Totô não aparecia nos assaltos. Não se fazia necessária à sua presença. Ele dava ordens e estas eram cumpridas. Ele não se banalizava. Era mais Sagaz do que Lampião e Antônio Silvino. Nunca marchava à frente de seu bando. Esses bandos marchavam sob a inspiração do Chefe.  A Sua Majestade no reino tenebroso do cangaço era indiscutida. Sabia Zé de Totô que a tática dos bandoleiros teria que mudar. Teria que se adaptar às novas circunstâncias criadas pela civilização. Essa cousa de bandos armados permanentemente era cousa do passado. Com boas estradas de ferro e de Rodagem com luz elétrica, em toda com polícias bem organizadas e melhor comandada, com tudo isso a serviço da ordem e da lei, a tática do crime teria que ser diferente e muito diferente a sua estratégia. Fazer amigos, protegendo fazendas e defendendo os que nada tinham era uma tática segura. Garantir bons esconderijos. Agir em pequenos grupos. Simultaneamente em vários setores. Dispersando-se em seguida. Era uma estratégia garantidora de pleno êxito. Garantia de sucesso. Em Terras tão vastas, as guerrilhas davam mais resultado. Em sua perseguição soldados organizados não conseguiriam nada. Assim é que Zé de Totô foi criando em torno de si uma lenda. Diziam que tinha corpo fechado. Que estava em toda parte. Que se encantava em um pé de marmeleiro. E de fato, o bandido era genial. No mato ninguém me batia. Sabia sair em qualquer lugar sem bússola, sem nada. Orientando-se apenas pelo seu instinto. Nunca dormia em casa. Nunca andava em estradas. Nunca confiou em amigos. Sempre vigilante. E os fazendeiros de Ingá precisando de uma figura lendária assim. Ainda faziam mais propaganda de Zé de Totô. Com isso o que acontecesse seria Zé de Totô o perseguido mesmo que nada tivesse com o peixe.

Cai a estrela do bandido

 Mas a boa sorte de Zé de Totô estava por pouco. Pouco depois de terem assassinado misteriosamente uma companheira de sua mulher, de nome Madalena, era a própria sua esposa que em primeiro de março de 1936 vítima de um trucidamento. Cortaram-lhe o pescoço. Chorou muito a morte de sua Leal companheira. Era ela quem tratava de todos os seus negócios vendendo gado, algodão e cereais, cuidando da fazenda e etc.  Com a sua morte Zé de Totô ficou desolado. Construiu uma capela no local do crime e mandou erguer um mausoléu no cemitério de Ingá. Bateu seca E meca à procura de uma mulher chamada Josefa Cirilo de quem suspeitou o crime. Josefa Cirilo era empregada de sua casa e logo depois do crime desaparecerá. Finalmente conseguiu encontra-la e meteu-lhe quatro balas de aço em nos intestinos. Deixou a Josefa Cirilo numa poça de sangue na linha da Great Western, certo de que estava bem morta. Mas o fato é que Josefa depois contava a história em Ingá. Completamente restabelecida dos tiros. Foi um fato de que se falou e ainda se fala em Ingá com assombração.  Como teria escapado Josefa Cirilo? ... Foi o seu organismo que era de Aço. Reagiu e salvou-se.  Zé de Totô ficou desolado. A sua mulher continuava morta e sem Vingança. E Zé de Totô cobria-se de lendas na crendice popular. Falando de sua mulher assassinada o bandido chora. Exaltou-se na descrição do acontecimento. E em seguida vem a crise. Era uma verdadeira criança. Rói até as unhas. Confundiu o repórter e até a polícia... sim, era um gesto de humanidade que ainda emergia daquele homem que viveu perigosamente sem sentir medo sem imaginar o que era a dor humana, e que agora entre quatro paredes reduzia-se a uma inexpressiva carcaça de velho no crepúsculo da vida.

Fuga do Ingá

Quando Zé Luiz, Ota Virgolino e Belinho Foram liquidados pela polícia do Doutor Manoel Morais e Coronel Ivo Borges então Zé de Totô viu que as cousas iam se tornando pretas para o seu lado. A polícia voltaria logo a procurá-lo e com maior insistência. Era um contra um Estado inteiro. E, depois estava amando novamente. Iraci de Araújo, com 19 anos apenas, acompanhando-o para toda parte cheia de Amor e confiança em seu marido, precisava ser poupada de uma sorte cruel. Encarregou amigos de venderem o que possuía em Ingá. Foi enganado. Deram-lhe pouco dinheiro por fazendas, algodão e gado. Mas quem foge da polícia paraibana não tem tempo a pensar em amigos falsos e Ursos. O principal era fugir. Deixar o Estado. Assim, dirigiu-se para o Ceará, indo fixar-se no município de Campos Sales. Onde comprou a propriedade denominada Bolandeira. A terra era boa e ele começou a plantar milho, feijão, arroz, algodão, criando cabras ovelhas e vacas. O homem -terror que ditava leis no surrão do Bacamarte estava transformado em um pacato criador e agricultor. Mas o crime não compensa. Aquelas vítimas que tinham ficado em sua história não deixavam o homem viver em paz. A polícia tinha que agir em nome da lei. Ninguém pode ficar impune. E, mais do que nunca era necessário acabar com a influência de Zé de Totô. No Ingá, frequentemente, apareciam pelas estradas cadáveres. Ninguém procurava identificar o morto que passava logo a ser a se chamar mais uma vítima de Zé de Totô. Cartas ameaçadoras eram dirigidas a fazendeiros como se partissem de Zé de Totô. Tudo se fazia sobre a proteção da fama de Zé de Totô. O homem agora preso, tudo isso desapareceram. E os bandoleiros Mirins serão logo desmoralizados. O bode expiatório desapareceu ...

A prisão

Afinal, na madrugada de 4 de maio chega a Campos Sales o major Jacob Frantz, o Sargento José de Souza e o soldado da Força policial da Paraíba e do Ceará. Zé de totó dormia quando ouviu o tropel na fazenda. Pressentiu, disse para mulher, estou liquidado, mas ainda há um jeito. Ouviu então os gritos de Renda-se e Bandido, Amém as metralhadoras se não falar liquidaremos tudo.  Com um filho de 12 anos por cima de si e com a sua jovem esposa ao seu lado pensou Zé de Totô em resistir. Foi um pensamento rápido. Logo lhe veio a ideia de garantir o futuro de sua família. E para que a “sua voz Não servisse de rumo aos tiros dos Soldados” mandou que sua mulher falasse. Dispôz-se mesmo a se entregar quando ouviu o major Jacob Frantz ordenar aos soldados que não maltratasse segundos o major Jacob Frantz estava ao seu lado algemando-o. Era o fim de tudo.

Pela primeira vez teve medo de morrer 

Quando em Lavras o carro que o conduzia parou na estrada, confessou Zé de Totô que tinha sentido pela primeira vez medo de morrer. Descia de um automóvel oficial do Dr. Manoel Morais, chefe de polícia da Paraíba, que desfrutava entre os bandidos o conceito de o mais temível perseguidor de cangaceiros. Textualmente Zé de Totô disse -   quando os meus olhos deram no homem gordo de cabelos grisalhos, eu senti que estava liquidado. Mas enganara-se, o Doutor Manoel Morais tratou como um cavalheiro. Hoje Zé de Totô entregou o seu destino ao Doutor Morais. Diz-se, abaixo de Deus só o Dr.  Morais pode resolver o destino de minha família, pois quanto ao meu confio na justiça humana...

 Pesam sobre Zé de Totô dezenas de crimes. Ele se defende, mas isso não quer dizer falta de culpa. Sua tática é atacar os bandidos que já morreram e não fazer alusão aos que estão vivos. Conservá-lo encarcerado será uma obra de profilaxia social. Zé de Totô é pronunciado nas comarcas de Areia, Ingá e Campina Grande.

A vida amorosa de Zé de Totô 

Dizia-se que Zé de era homem muito chegado as mulheres. Que era dado às conquistas. Mas, o Don Juan brejeiro contesta a opinião de seus julgadores. Era um pouco amigo de festas, gostava de cerveja. Não chegava a ser mesmo um barba azul. Era um amoroso. Um sentimental.  - Qual foi a mulher de quem mais você gostou? -  perguntamos: Zé de Totô fica meio perturbado e diz: O primeiro bocado é sempre o melhor. Minha primeira mulher era muito boa. Trabalhava em meio a 30 homens. Não fazia com preguiça, trabalhava com vontade. Fazia tudo por mim. Era o meu anjo da guarda. Muito religiosa e as suas rezas me protegiam. A segunda era uma doida, traiu-me. A terceira também. A quarta sim, é uma moça de família, bem educada e muito boa. A quarta é a Iraci.  A que acompanha agora.

Conheceu Iraci quando menina de 1 ano de idade, na casa do seu pai Bento Araújo, morador no Cedro, em Ingá, de quem era amigo. A menina cresceu. Fez-se moça. Quando chegou aos 17 Anos Zé de Totô levou-a para casar-se em Picos, no Ceará, sendo a cerimônia oficializada por um frade beneditino. Zé de Totô nunca teve filhos mas cria um sobrinho desde um ano. Chama-se Francisco Alonso de Oliveira aluno do Colégio Salesiano de Juazeiro Ceará. O menino tem Zé de Totô como seu pai. Iraci interrogada pelo repórter, disse que preferia Zé de Totô a qualquer branco de família. Entregara-se a ele por amor. Não vendo a sua fama. Pensava regenera-lo. Ele tinha no fundo bons sentimentos. Ela ia aproveitá-los. Mostrar-se Iraci com inteligência sendo, entretanto muito desconfiada com os repórteres. É uma mulher de verdade...

E assim deixamos Zé de Totô no xadrez triste e com aspecto normalíssimo de um mortal qualquer. Aquela coragem, aquela bravura, aquele temperamento, tudo nele tinha desaparecido. Trocando os campos por uma cela, quem sabe se poderá resistir a nostalgia do terror e da fama com seus Bem vividos 59 anos?  Hora Antônio Silvino ainda está aí contando lorotas..." (Diário de Pernambuco, Domingo, 21 de maio de 1944 páginas 3 e 8).


sábado, 27 de março de 2021

Maria Bonita: "Madame Pompadour do Cangaço"

 

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"Teem ahi os nossos leitores uma pose feita, com toda dignidade cinematográphica de uma Greta Garbo, pela famigerada Maria Oliveira, vulgo "Maris do Capitão", companheira do famoso bandoleiro "Lampeão."

"Maria do Capitão" é a unica pessoa do grupo que exerce ascendencia moral sobre o chefe cangaceiro. Por vezes, "Lampeão" hezita em lavrar uma sentença de morte e é ella sempre quem resolve em ultima instancia. Maria Oliveira, porém, raramente decide em favor do réu.

A photographia acima foi feita pelo sr. Benjamin Abrahão, cinematographista-amador e que a cedeu especialmente aos “Diarios Associados". Nella apparece a companheira de "Lampeão" trazendo o seu "tenue" domingueiro, os cabellos alisados a banha cheirosa, meias de algodão, sapatos "ressés" e seu vestido azul claro de linho.

Maria Oliveira posa em companhia de dois cães de estimação, um dos quaes, "Ligeiro", é o seu favorito."

Por occasião dos encontros do bando com a policia, emquanto os homens lutam e resistem, ella em companhia das outras mulheres do grupo, abre, nas caatingas cerradas, os caminhos por onde possam fugir os cangaceiros, ante a imminencia de se verem cercados.

- Os asseclas de "Lampeão" rendem-lhe as mais servis homenagens, tudo fazendo para não cair no desagrado dessa "Madame Pompadour do Cangaço, senhora de baraço e cutello dos sertões nordestinos".( Diário de Pernambuco, Recife, quarta-feira, 17 de fevereiro de 1937).

sexta-feira, 26 de março de 2021

CANGAÇO: Zé de Totò, Zé Luiz e o incrível caso da prisão de fazendeiros e políticos do Ingá,Pb e região

 

Cresci ouvindo histórias contadas por minha mãe sobre a ação criminosa dos cangaceiros aqui na cidade do Ingá. A riqueza dos detalhes de sua narrativa era tão fascinantes que eu até esquecia de brincar com outras crianças, e, acabava me perdendo no encantamento daquele mundo que pra mim não era muito diferente daquilo que eu assistia nos filmes de Bang Bang exibidos na Tv preto e branco. Naquele momento os personagens construídos em sua narrativa me eram apresentados apenas com seus nomes, suas ações... Ao mesmo tempo que se aproximavam, também se afastavam, pois não havia uma data, um referencia que os colocasse em um determinado tempo. E por isso a as narrativas para mim eram meio que contos de fada, ou melhor contos de terror.

Cangaceiro ingaense Zé de Toto

A verdade é que o Cangaço no Ingá existiu sim! A violência e o banditismo fazem parte sim da cultura e da identidade do lugar, e, que nós precisamos reconhecer sim essa parte de nossa história.

É importante que lembremos aqui ,que a ação dos cangaceiros não eram atos isolados, haviam conluios e cumplicidade entre eles e os fazendeiros (que nesse caso eram chamados de coiteiros) e parte da população. Raríssimas as vezes  na história do cangaço do Nordeste, os ricos, os proprietários, os “homens de bem” foram punidos por conluio com o cangaço. Porém, no caso do Ingá, o uso da violência cometida pelos bandoleiros era tão exacerbada que as autoridades tiveram que rever suas “normas” de comportamento com o intuito de ao menos minimizar as ações criminosas no município de Ingá e região.

Leia abaixo

Da Paraiba

RIO, 5 (A. M.) - Informam de João Pessoa: 26 Luiz e Zé Toto, dois conhecidos cangaceiros do nordeste, assassinaram, no Ingá, uma Indefesa mulher em seguida, fugiram auxiliados pelos coiteiros.

As autoridades estão agindo energicamente para prender alguns dos colteiros, inclusive 0 fazendeiro João Figueredo, figura de prestigio da politica decaida.

Uma verdadeira caravana de antigos politicos, chefiada pelo exInterventor, chegou ali, com o propósito de conseguir a liberdade dos presos. A pesar da informação de que os presos tinham sido acusados por motivo de ordem pública, O Juiz, coagido, concedeu-lhes ha. beas-corpus.

o interventor federal interino receando que os protetores dos colteiros e dos assassinos queiram provocar agitação no Estado, telegrafou ao sr. Rui Carneiro, que se encontra no Rio, comunicando a ocorrencia o solicitando providencias. (Diário de Pernambuco, quarta-feira, 6 de agosto de 1941).

Os coronéis e políticos locais, homens da mais alta estirpe, que foram associados aos bandidos como coiteiros foram presos, e para se livrarem das acusações contrataram os mais altos nomes da advocacia paraibana para se livrarem da cadeia.

Leia abaixo a impetração de harbies corpus feita pelos advogados dos acusados de coito ao cangaceiros.

1lmo. Sr. Dr. Juis de Direito da Comarca de Ingá

Os bachareis Argemiro de Figueiredo, Ernani Satyro, Accacio Figueiredo e Anastacio H. de Mello, advogados, residentes na cidade de Campina Grande, vêm requerer a v. s. uma ordem de habeas-corpus em favor de Eufrasio Alexandre, Americo Tito de Araujo, Manoel Nasci mento de Menezes, Lindolfo Almeida Santos, Zacharias Dias de Araujo, F'miliano Goncalves Mello, Manoel Travassos da Luz, Manoel Travassos da Luz N o, S verino de Azevedo Cruz, João Gualberto Gonçalves, José Rodrigues, Antonio Quaty, Octacilio Martins, Adherbal Moreira Rezende, Francisca Martins de Arruda, Antonio Rodrigues, conhecido por Sinho zinho Rodrigues, e Amelio de Azevedo Cruz ...............................

todos proprietarios, brasileiros, residentes neste municipio, que se encontram illegalmente detidos na cadeia publica desta cidade, por ordem do 'Te. Caetano Julio, da policia parahybana. Contra os pacientes não existe prisão em flagrante, prisão preventiva, pronuncia nem com demnação, unicas hypotheses em que se justificaria a sua detençao. (v. documentos juntos). Segundo estão seguramente informados os impetrantes, e é notorio nesta cidade, os pacientes estão detidos como suppostos coiteiros dos bandoleiros conhecidos por José de Toto e Jose Luiz, que se encontram actualmente indigitados no recente attentado criminal contra uma mulher, occorrido neste municipio. Os impetrantes requerem a v. s, que se digne considerar, desde logo, os pacientes postos á dis posição desse juizo , até se ultimar o regular processo do habeas-cor pus ora impetrado. Assim requeren para, sob a supposta allegação de que se trata de crime politico-social, evitar-se seja burlado o habeas corpus. Ouvindo a autoridade coactora, como dispõe a lei, Vos. Poderá bem convencer-se de que se não encartará na especie semelhante alegação.

Os impetrantes fundamentam o pedido nos arts. 122. inciso a Constituição Federal, 473 do Codigo do Processo Penal do Estado e demais leis suppletivas.

Nestes termos,

P.P. Deferimento.

CONCLUSAO

Com estes fundamentos, esperamos desse Egregio Tribunal, hoje, como sempre, uma decisão que consulte a causa da

JUSTICA

A presente contra-minuta está datada de Campina Grande, onde nos encontramos, seria imprudência nos dirigirmos novamente á cidade do Ingá.

Pelo telegrama estampado no DIARIO DE PERNAMBUCO, de 6 do corrente, de que juntamos um recorte, vê-se que novas violências se preparam contra os impetrantes.

Assinatura dos advogados dos acusados

É importante lembra aqui que a situação da violência no Ingá era tão particular, que o famigerado cangaceiro Antonio Silvino elegeu o lugar para manter seu Quartel general ou ponto de apoio. O lugar escolhido pelo bandoleiro foi a Serra do Surrão. Mas essa é outra história que contaremos em outro momento.

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quinta-feira, 25 de março de 2021

A PRISÃO DO CANGACEIRO RIO PRETO DO BANDO DE ANTONIO SILVINO E SUA PASSAGEM EM MOGEIRO E INGÁ: depoimento de um bandoleiro

 

Vários são os relatos em jornais do século XIX E XX da presença e permanência de bandos de cangaceiros famosos, e, não tão conhecidos nas terras de Mogeiro e Ingá. Entre eles podemos citar: Antonio Silvino e seu bando, Zé de Totó e Zé Luiz entre tantos outros anônimos e não tão famosos.

Antonio Silvino e seu bando

A dinâmica do cangaço no período em que se instalou nas terras do nordeste, e, especificamente, nas terras do agreste paraibano, era exaltada na literatura de cordel e narrada por penas de poetas populares como João Martins de Athayde, de maneira tão formidável que comparados com os roteiros dos filmes de Hollywood, ganham em superioridade, realismo e originalidade.

As noticias sobre o cangaço eram  constantes nos jornais da época. Pra se ter uma ideia, haviam jornalistas especializados em pesquisar, acompanhar e escrever a saga do cangaço no sertão.

Leia abaixo, na integra, uma reportagem do jornal O DIARIO DE PERNAMBUCO, (Recife, quinta-feira, 29 de marco de 1906. Pag. 01), que narra o episodio da prisão do Cangaceiro Rio Preto.

RIO PRETO

SEU DEPOIMENTO

“Damos abaixo o depoimento do famigerado cangaceiro Rio Preto.

Algumas outras declarações fez elle perante o dr. chefe de policia.

Estas, porem, precisam, por emquanto ficar em segredo de justiça.

Eis o depoimento:

* Firmo José de Lima, 24 annos, natural  de S. Vicente, solteiro, não sabe ler, nem escrever.

Declarou o seguinte;

Ere trabalhador de Manoel Francisco, no logar Junco, do municipio de Umbuzeiro, ! na Parahyba, quando ha quatro annos, Antonio Silvino, em companhia de nove cangaceiros, assaltou a casa de seu patrão, roubando-o e espancando-o barbaramente

Terminando o assalto, Antonio Silvino obrigou-o a acompanhal-o, afim de fazer parte do grupo.

Desde esse dia, começaram as suas relações com o celebre bandido Silvino, relações que conservou até dois annos passados, quando teve necessidade de abandonar' o grupo, levado por uma discussão havida entre elle e Silvino, da qual não resultou funestas consequencias, devido à intervenção do seu companheiro Cocada

Motivou a discussão querer Silvino obrigal-o a espancar tres homens que passaram no Mogeiro de Cima, desobedocendo ordens que neste sentido tinham sido dadas.

Cocada, tomando parte da discussão, colocou-se de seu lado, dando-lhe razão e separando-se, em companhia de Relampago, do grupo de Silvino.

Algum tempo depois, ao novo grupo se reuniram Nevoeiro e Barra Nova, ficando o grupo do Silvino composto pelos cangaceiros Tempestade, Ventania, Balisa e Dois Arros.

Depois da separação, Silvino procurou novos companheiros, constituindo forte  grupo.

Esta separação não trouxe, porem, entre os dois grupos intriga séria, tanto que, quando Silvino tinha necessidade de dar om assalto perigoso, convidava o seu grupo, do qual era chefe Cocada, sendo sempre attendido.

Todas as vezes que se separavam combinavam encontros em logares determina dos.

Há mais de um anno, achando-se com Cocada no logar Gitó, ahi encontrou-se com Silvino.

Nessa occasião, o famigerado bandido convidou seu chefe para, reunidos os dois grupos, assaltarem o estabelecimento de Manoel Bello, em Macapá, afim de não so roubarem tudo quanto podessem, como tambem assassinal-o.

Recusou-se elle e igualmente Cocada a acompanharem Silvino, porque este tinha o firme proposito de assessinar Manoel Bello.

Em vista da recusa por elles apresentada, comprometteu-se Silvino não matar a Bello, acceitando então elles a proposta

Entraram em Macapá, Silvino, Cocada Relampago, Balisa e Tempestade, cantando modinhas.

Procuraram o cabo de policia ali destacado, dssarmaram-no e o obrigaram a ensinar onde ficava o estabelecimento do Manoel Bello.

Chegando a porta de Bello, bateram, declarando que era uma força do governo, vinda de Timbauba, sob o commando do sargento Lopes de Maceio, e que desejavam que o sr. Bello lhes fornecesse o promettido café.

Manoel Bello, acreditando realmente tratar-se de uma força legal, não hesitou em abrir a porta.

Todos elles precipitaram-se para o estabelecimento, donde roubaram grande quantidade de mercadorias, conduzindo-as em um cavallo, que para este fim tinha levado Silvino.

Após a pratica do roubo, retiraram-se para Piraná, onde novamente se separaram os grupos, tomando cada uma direcção opposta.

Antonio Silvino, ao sair, levou o cavallo carregado com as mercadorias, dando antes da partida uma gratificação, em dinheiro, a Cocada, gratificação que foi dividida entre os companheiros.

Depois de um tiroteto que soffreu com Cocada, tiveram necessidade de se separarem, o que fez.

Deixando Cocada, foi para o engenho, Barrocas, com recommendações do major Philemon Nestor e de José Rezende.

Em poder de Rezende deixou uma comblain, de que Nestor lhe havia feito presente.

Cocada, depois da sua saida, foi homisiar-se no engenho Paggi, em Nazareth.

Passado algum tempo, receiou ser preso no engenho, constando-lhe já ser conhecida a sua permanencia naquelle logar

Deixou o engenho indo para Aroeiras, da Parahyba, onde se encontrou com Silvino e Cocada.

Reunidos, seguiram juntos para Fagundes, onde mataram um empregado de José Alves, por desconfiarem ter este rapaz denunciado ás autoridades do Ioga o esconderijo de Papa Mel, que pela policia havia sido morto.

Ainda reunidos, dirigiram-se ao Surrão, onde Antonio Silvino tomou um rifle ao negociante Manoel de Mello, delle fazendo lhe presente.

Em seguida, dirigiram-se para Figueiras, onde, pelas 5 horas da manhan, do dia 15 de fevereiro de 1903, assaltaram a casa do subdelegado Francisco Antonio Sobral, matando-o em seguida

Este assassinato teve como causa desconfiar Silvino que um tiroteio soffrido tinha sido promovido pelo Sobral.

Pouco tempo depois da morte do Papa Mel, foi, a convite de Silvino e acompanhado de Cocada, á casa de Marcos dos Pinhões, a quem assassinaram, por ter constado que Pinhões os perseguia.

Após o assassinato, dirigiram-se todos para a casa de Antonio Poggy, em Guaribas, onde almoçaram.

Não tomou parte, nem Cocada, no assassinato de Severino de tal, facto este occorrido em Aroeiras

Motivou este assassinato desconfiança de que Sevorino denunciara Silvino á força que o atacara em Torres, pouco acima de Aroeiras, em casa de Manoel Perrera.

Depois do assassinato, fugiram todos e occultaram-se em casa de João de tal, vaqueiro do João Barbosa, no logar Tamandua.

Ha dois annos passados, se achava em companhia de Cocada e Antonio Sllvino na residencia do major No, logar Mogeiro, quando passou Manoel Paes, ex-sargento de policia e inimigo deles

Antonio Silvino chamou-o e, reconhecendo o disparou contra elle o rifle, matando-o instantaneamente.

Tendo o grupo informações de que a forca policial não se achava no Pilar da Parahyba, resolveram dar ali um assalto, o que levaram a effeito.

Ao chegarem á cidade, mandaram cha. mar o carcereiro da cadeia e ordenaramlhe a entrega das respectivas chaves.

De posse das chaves, soltaram todos os presos, desarmando dois soldados que ali encontraram, prendendo-os, em companhia do carcereiro.

Em seguida sairam pelas ruas, angariando dinheiro das pessoas dalli, entre ellas o sr. commendador Napoleão.

Pouco tempo demoraram, levando o armamento dos soldados

Cocada tinha sob a sua protecção uma menina de 12 annos de edade, a qual foi offendida por Francisco Paes.

Chegando esse facto ao conhecimento do seu companheiro, esse escrevera ao offensor, pedindo 500$00 para resgatar a falta que commettéra.

Francisco Paes, ao receber a carta, consultou ao vigario da freguezia. que o acon. selhou a enviar pelo menos 200$00 .

Elle, porém, não acceitou o conselho, respondendo que para Cocada tinha balas.

Em vista disso, Cocada resolveu ir á sua casa, encontrando-o em companhia de um filho.

Contra o rapaz, que fugiu, dispararam as armas, vendo-o cair, a pouca distancia.

Antes de assassinarem Francisco, obrigaram a dar 100$000.

Em dezembro de 1903, combinaram almocar em casa do velho Felismino em Mano elos, na Parahyba.

Na occasião, estava elle e Cocada e, ao entrarem na casa do velho, viram um offcial de policia, que depois souberam ser o capitão Caetano com alguns soldados.

Logo que deram com a presença da força fugiram precipitadamente.

Pouco adiante, encontraram Silvino, que declarou não ter ido porque recebêra aviso de que a força se achava à sua espera, em uma moita proxima á casa do velho Falismino.

Nesse momento, Silvino contou que ha annos tinha travado um forte tiroteio na usina Santa Filonilla, do qual resultou a morte de uma menina, facto que lamentara.

Sendo apresentada na chefatura u'a macaca, confesou Rio Preto conhecel-a, dizendo que pertencia á Balisa e não a Antonio Silvino, macaca, que fora deixada em Taquaretinga, quando ali houve um tiroteio Com o destacamento.

impossivel precisar as datas dos factos em que esteve envolvido, sendo natural não se lembrar de todos eles.

Alguns factos são attribuidos ao grupo de que fez parte, porém indevidamente.

Quando Cocada assaltou a casa de Francisco Paes, foi por elle acompanhado e por Nevoeiro e Relampago.

Relampago foi quem, á ordem de Cocada, atirou no filho de Francisco.

Em dezembro do anno passado, separouse de Cocada em Piraus, donde, em companhia de uma moça, com quem pretendia casar dirigiu-se para o norte em procura de trabalho, pois já se achava aborrecido da vida de cangaceiro.

Um mez e oito dias passou em Mamanguape, em companhia da moça, trabalhando em terras de u'a mulher conhecida ali I por Dona Anninha.

Todo tempo em que ali esteve, conservou-se incognito. retirando-se por desconfiar ser preso pela subdelegado, que desconfiava ter ele raptado a moça que o acompanhava.

Seguiu para o norte. Cheganda em Goyanninha no dia 10 do corrente.

Ahi procurou trabalho, sendo finalmente acolhido no engenho Jardim, onde foi preso no dia seguinte á sua chegada.

O nome verdadeiro de Cocada é Manoel Marinho, sendo sua idade 49 annos e natural da Guarila termo de Itabayanna.

Antonio Silvino conseguiu, por intermedio do coronel Belém, residente no Crato, do Ceará, assentar praça em tres cangaceiros de seu grupo, conhecidos pelos nomes de Dois Arros, Pau Revesso e Manoel Ventura.

Ha cinco annos passados, uma força do Estado do Parahyba. commandada pelo tenente Paulino Pinto, unida a outra força deste Estado, commandada pelo capitão Angelim encontrou, no logar Surrão, Silvino, Antonio Francisco, Formigão, actualmente separado do grupo, e muitos outros cangaceiros, em numero superior a 50, sob a chefia de José Gato.

Resultou do encontro renhido combate, do qual sairam muitos cangaceiros mortos e outros feridos.

Na ocasião do combate estava doente, o que motivou não tomar parte nelle.

Ao terminar o fogo, Antonio Silvino fugiu, indo a ele reunir-se”. (DIARIO DE PERNAMBUCO, Recife, quinta-feira, 29 de marco de 1906. Pag. 01)