sábado, 19 de fevereiro de 2022

IHGI - PARCEIROS SEMPRE SÃO BEM VINDOS! Obrigado Prefeito Robério Burity, muito obrigado Vereadora Mana

 

O Instituto Histórico e Geográfico do Ingá – Casa João Martins de Athayde, é uma instituição civil formada por membros preocupados em promover, preservar e colocar em foco a história local.

Fundado em 03 de novembro de 2021, apesar de ainda novo, o IHGI do Ingá vem paulatinamente buscando parcerias que são motivadas por um intuito maior que consiste em valorizar o nosso povo e por consequência a sua história. O maior desafio disso tudo é fazer com que a população crie laços de pertence com o seu lugar, seu patrimônio e reconheça a importância que tudo isso pode representar para o seu crescimento humano e sua cidadania.

Membros do IHGI, juntamente com o prefeito municipal Robério Burity, em visita ao prédio histórico onde funcionará a a instituição - IHGI.

Assim, como a Casa do Patrimônio de João Pessoa, o IHGI – Casa João Martins de Athayde “no desenvolvimento de suas ações, busca agregar, numa perspectiva de rede de cooperação, outros setores e instituições ligadas a cultura e a educação, com a finalidade de implantar uma polícia publica que consolide no campo da educação patrimonial, da história e da geografia local, tornando o tema presente nas agendas educacionais e projetos culturais de uma forma geral”.(educação Patrimonial: orientações para professores. 2 imp. – João Pessoa: Superintendência do Iphan na Paraíba, 2011, p.08).

Além das parcerias já estabelecidas, o IHGI do Ingá, busca formar novas parcerias com escolas e outras instituições que venham a se favorecer com as suas ações.

Membros do IHGI, na formação de professores de História e Geografia do Município do Ingá

Alexandre Ferreira - Presidente do IHGI - em Formação com a equipe Técnica da Secretaria de Educação do Ingá

Autografando o novo livro para as colegas da equipe Técnica da Secretaria de Educação do Ingá

Dentro desse contexto de parcerias e apoio, contamos desde o inicio da fundação do IHGI, com a colaboração do prefeito municipal Robério Burity, que ao saber do projeto, apoio e abraçou a causa doando o espaço onde funcionara o instituto ingaense.

Nesse sentido, sem a sensibilidade do gestor, no diz respeito as causas culturais e educacionais do município do Ingá, teria sido bem mais difícil, para nós membros do IHGI, consolidarmos esse projeto.

Por fim, nós gostaríamos de agradecer a Vereadora Mana pela sensibilidade em doar todo o acervo fotográfico de sua família (cerca de 1000 fotografias) para compor o nosso museu da imagem.

Vereadora Mana doado seu acervo de fotos históricas do Ingá, a membros do IHGI.

Nós do IHGI – Casa João Martins de Athayde, esperamos que mais cidadãos ingaenses abracem a causa e se tornem nossos parceiros.

 

 

 

 

 

Ingá, 19 de Fevereiro de 2022

Alexandre Ferreira

_________________________

Presidente do IHGI.



 

domingo, 14 de novembro de 2021

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO INGÁ - CASA JOÃO MARTINS DE ATHAYDE

 

Hoje, dia 14 de Novembro de 2021, as 18:30 iniciamos uma reunião junto aos membros do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO INGÁCasa de João Martins de Athayde, para deliberar sobre os últimos detalhes dos documentos de fundação da referida instituição.

Respeitando o momento de pandemia que vivenciamos, achamos por bem realizar a reunião de forma virtual, através do Google Meet.

Participaram dessa reunião, os seguintes membros:

·         ALEXANDRE FERREIRA;

·         JOSÉ BATISTA DE LIRA NETO;

·         IZAAK EMANUEL NUNES COSTA;

·         MARCELO BEZERRA DO NASCIMENTO ALEXANDRE;

·         JOSELMA DO NASCIMENTO LIMA MONTEIRO;

·         RUI DA SILVA BARBOSA;

·         MARCIANE SILVA AMBRÓSIO BENÍCIO;

·         CHRISTIANE RAMOS BARBOSA DE PAULO;

·         NADY JAKELLE QUEIROZ DIAS.

No momento ouve indicações e votação para cargos e outras discussões em torno da Ata de Fundação e adequações (acrescimentos e subtrações) no Estatuto do Instituto Histórico e Geográfico do Ingá – Casa de João Martins de Athayde.

Sem mais o que discutir, a reunião se encerou as 20:10 minutos do mesmo dia.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO INGÁ - CASA JOÃO MARTINS DE ATHAYDE

        Como falar do Ingá, sem se lembrar da luta de tantos, sem se dar conta da força, daqueles que viveram e vivem pelo Ingá? Daqueles que, sem pretensão alguma, deram seu sangue pela valorização de seu lugar, pelo reconhecimento, pela continuação e avivamento de seu povo?... É movido por esse embalo que há muito nos precede, que o Ingá vê despontar um novo sol, disposto a abrilhantar ainda mais esse compasso, tomando pelos braços aquilo que É e que não cessa em dizer "estou aqui!". Sendo assim, é chegada a hora que o povo ingaense recebe, como fruto de seu progresso, os primeiros passos do tão sonhado e esperado, Instituto Histórico e Geográfico do Ingá; o queridíssimo IHGI.
 

        Além de visar a preservação do patrimônio material e imaterial do município, o IHGI busca o desenvolvimento de estratégias voltadas à educação, à produção histórica, cultural... conhecimentos estes que são indispensáveis ao fomento de uma sociedade estritamente democrática, de seres pensantes e comprometidos com a coletividade. 
         
         E por falar em comprometimento, cabe aqui ressaltar alguns nomes: Alexandre Ferreira, por sua incessante busca pela verdade, ligada ao seu exímio sentimento de pertence ao Ingá; Marcelo Bezerra, por sua implacável pesquisa acerca das sociabilidades na antiga estação ferroviária do Ingá; Neto Lira, pelo resgate histórico do Ingá como município exemplo da produção algodoeira da Paraíba; Joselma Monteiro, pelo olhar glamoroso sobre o clube A União Cultural Ingaense; Zilneide Matias, pelo despertar sócio-histórico sob o alvorecer da Banda 31 de Março; Rui Barbosa, por sua indispensável pesquisa sobre as migrações ingaenses, voltadas ao trabalho e à sobrevivência; Marciane Ambrósio, pelo reavivamento histórico da identidade e cultura da Festa das Rosas do Ingá; Nady Jakelle, por sua chegada e contribuição sociológica mais que bem vinda ao projeto; Christiane Ramos, pela disponibilidade e apoio inigualável nos trâmites legais do Instituto; e por último e não menos importante, o prefeito Robério Burity, que desde o início nos surpreende com o seu olhar e abertura a um projeto que vem pra ficar, e que vai para além das gerações ingaenses. A todos vocês, o nosso muito obrigado.

            Ingá-PB, 10 de novembro de 2021.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

ANIVERSÁRIO DE 181 ANOS DO INGÁ: CERIMÔNIA DE LANÇAMENTO DO LIVRO INGÁ: Olhares Sobre a História

 

Boa noite Ingaense! Passando aqui neste espaço que é nosso para agradecer a toda a população ingaense pelo presente que trocamos e ao mesmo tempo recebemos no aniversário de 181 anos do nosso Ingá. Ainda estou em estado de êxtase... ainda sem acreditar no que ocorreu hoje (03 DE NOVEMBRO DE 2021) no Clube A União Cultural Ingaense.

Hoje, presenteamos o povo do Ingá e fomos presenteados com o lançamento do nosso livro: INGÁ: Olhares Sobre a História, um livro que traz o olhar de vários autores sobre a história do nosso município.

Eu como autor e organizador da obra, gostaria aqui de externar a minha alegria em poder compartilhar este trabalho com pessoas tão competentes e ao mesmo tempo dotadas de tão grande sensibilidade, quando se propuseram a escrever sobre nosso lugar. 

Gostaria também de agradecer a confiança depositada quando a mim foi confiada a organização do volume. Sem você: Izaak Emanuel Nunes Costa, nosso editor, não haveria capa, transcrição, diagramação e correção ortográfica; Sem você, Rui da Silva Barbosa, nosso Geógrafo, não teríamos neste livro, um capítulo que trata da MIGRAÇÃO INTERREGIONAL, TRABALHO E SOBREVIVÊNCIA: UMA ABORDAGEM SOBRE A MIGRAÇÃO INGAENSE PARA CIDADES CATARINENSES; 

Sem  a sensibilidade de Marciane Silva Ambrósio Benício, que trata em seu capitulo: CAMINHOS DA HISTÓRIA, NOS RASTROS DA MEMÓRIA: CULTURA E IDENTIDADE NA FESTA DAS ROSAS DE INGÁ, 


seria difícil entender os festejos da festa das rosas do Ingá;  Sem Joselma do Nascimento Lima Monteiro que discute: VELHOS TEMPOS, VELHOS DIAS: ERA DO GLAMOUR NO CLUBE UNIÃO CULTURAL INGAENSE, 



não seriamos capazes de entender os porquês da formação dessa sociedade e do clube; Sem a pesquisa de Zilneide Barros Matias, -  DA ALVORADA AO CORETO, O SILÊNCIO DA BANDA 31 DE MARÇO ( INGÁ-PB) eu apesar de ser ingaense de nascimento, não teria percebido a beleza e a importância da Banda 31 de Marco para o nosso município; 

Sem José Batista de Lira Neto, com sua pesquisa: O MUNICÍPIO EXEMPLO DO PROGRAMA ALGODOEIRO DA PARAÍBA (1936-1960) sobre a Anderson Clayton, ainda saberíamos muito pouco sobre o assunto; 



Sem Marcelo Bezerra do Nascimento Alexandre, com sua pesquisa de tema: EMBUÁ DE FERRO: SOCIABILIDADES NA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DO INGÁ (1936-1985).

Por fim Eu, Alexandre Ferreira, que fiz o capitulo inicial e o capítulo final desde livro: SITUANDO E LOCALIZANDO O MUNICÍPIO DO INGÁ – PB; O PODER PÚBLICO E A CONSTRUÇÃO DO INGÁ TURÍSTICO: UMA ETIQUETA CÔMODA.

Por fim, e em primeiro lugar gostaria de externar a minha admiração e GRATIDÃO ao prefeito Robério Burity e a primeira dama do nosso município Sandra Burity, pela sensibilidade e sabedoria em acolher tão importante projeto, que significa além de tudo o reconhecimento, o registro e o regate da história de todo um povo. Nosso povo....

Sem você Berin, nós continuaríamos sonhando. Você nos possibilitou. Nos fez acreditar que os sonhos podem se tornar realidade sim. E que não existe sonho impossível quando se sonha em conjunto e com o outro.



Gostaríamos de agradecer imensamente aqui também, e principalmente os nossos leitores, a todos os ingaenses. Esse presente é nosso. É meu, é seu, é de todos nós. Aproveitem!

Por último, gostaríamos de externar a nossa gratidão as pessoas que se fizeram presentes no lançamento do Livro INGÁ: Olhares sobre a história, em especial, ao nosso prefeito Robério Burity, a primeira dama Sandra Burity, A nossa Vereadora Mana, a minha gestora Rosimery Ramos Mascaranhas, a Vice-governadora do estado da Paraíba, Dra. Lígia Feliciano, o Deputado Federal Dr. Damião Feliciano, Deputado Estadual João Gonçalves, Prefeito Municipal, o Vice-prefeito da cidade de Mogeiro, Zé Neto. A Secretaria de Educação, na pessoa de Walbênia Andrade, a Secretária de Saúde Virgínia, ao Padre Mário e a todos os amigos queridos presentes na ocasião.

Tudo isso, sem esquecer do magnifico prefacio feito pelo Meu queridíssimo professor Durval Muniz de Albuquerque Junior.

Minha GRATIDÃO! NOSSO MUITO OBRIGADO!

Parafraseando Fernando Pessoa: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce!

FOTOS DO EVENTO DE LANCÇAMENTO DO LIVRO: INGÁ: Olhares Sobre a História.

























terça-feira, 30 de março de 2021

Leiam na Integra a entrevista concedida pelo Cangaceiro Ingaense, ZÉ DE TOTÔ, ao Diário de Pernambuco, no momento de sua prisão em 21 de maio de 1944.


"Dramática história de um bandoleiro do Nordeste

Como apareceu Zé de Totô no cartaz do crime- muita calma no rosto indecifrável- livrando-se de emboscada e Armando algumas outras - o assassino de sua primeira mulher- trabalhando e dormindo no mato -traído pelas mulheres e levado pelos amigos- sua prisão em Campos Sales no Ceará

João Pessoa, 17 (Agência Meridional) - José Afonso de Oliveira, vindo de São João do Cariri, onde nasceu, chegou ao Ingá com 13 anos. Não trazia armas, mas aos primeiros contactos com Manoel Amaral, chefe político de fama e de coragem em Ingá firmou-se como um homem capaz para servir de guarda-costas.

Nasceu em 1897 e era filho de Justino de Oliveira e li piscina de Oliveira Lima, agricultores em São João do Cariri.


Produto do Ingá do Bacamarte

 Fugiu José Alonso de Oliveira às marcas e estigmas fixados pelos criminalistas. Não tem anomalias do craneo e da face, nem mandíbulas prognatas, nem orelhas assimétricas. A sua fisionomia, entretanto, engana o melhor observador e à sua frente ninguém pensa que realmente se trata do Zé de Totô, a figura sinistra do Nordeste. No seu rosto pardo, nublado, absolutamente insensível, apenas os olhos falam demais. No decorrer do interrogatório é que ele se mostra todinho. Os olhos que não apresentam vivacidade, ao calor das perguntas, tomam um brilho surpreendente e parece extravasar todo o ódio que o animou ao Crime durante 40 anos. Sente-se que aquele homem podia ter sido um homem honesto se vivesse em outras terras. Toda a sua história gira em torno de questões de terras arrendadas entre fazendeiros poderosos, movimentos eleitorais, choques armados entre senhores feudais produto puro do meio. Ingá não é ambiente para homens pacatos e simples. Hoje é uma cidade bucólica. Outrora agitada por encontros mortais entre inimigos de ferro e fogo. Ingá era a terra do amor e do ódio. Chegou até os nossos dias com o apelido que o define INGÁ DO BACAMARTE -  a voz do Bacamarte era mais poderosa que a que a justiça, que o direito. As soluções pacíficas não serviam aos senhores de terra. Uma região acidentada cheia de serras e de grutas serviu de clima ideal para a proliferação do crime. Era o habitat maravilhoso para os homens de espírito aventureiro que ignorantes e rústicos aos primeiros atritos com a lei, tornavam-se bandoleiros assaltando, roubando e matando em nome de princípios que não conheciam, mas a serviço de instintos incontroláveis feras humanas soltas como as de Hitler.

Zé de Totô encontrou em Ingá um ambiente propício ao seu espírito. Logo se destacou como um atirador de fama. Sacudindo um limão para o alto, espatifava-o com uma bala. Isso servia Manoel do Amaral estava bem protegido contra inimigos políticos ou quaisquer outros... Era assim o Ingá de outros tempos.

Ligeiro intermezzo assinala a sua ausência de Ingá na sequência de sua vida acidentada e cheia de sangue e mortes. De 1902 a 1912 ganhou dinheiro com a alta da borracha, trabalhando no Amazonas. Foi até ali em companhia de seu patrão o Coronel Manoel do Amaral. No inferno verde cometeu das suas, mas ninguém sabe ao certo o que se passou com ele, dizendo-se que exterminou uma família inteira composta de 12 pessoas, para herdar uma propriedade. Ganhou dinheiro no Acre e com 25 anos fixou-se definitivamente no Ingá. Logo depois, em 1915, por questões de terra entre grandes senhores, matou um morador da família Trigueiro Lins. Essa família exerce na vida de Zé de Totô grande influência. Os Trigueiros então sempre em luta contra Manoel do Amaral e Zé de Totô não brinca com os cabras dos Trigueiros. Foi não foi o Bacamarte está em ação e vão caindo algumas vidas. Até a sua mulher Maria Gonçalves e, na intimidade Lia, entra no ódio de seus inimigos. Em 1918, Lia foi alvejada por vários homens de identidade desconhecida para nós, mas não para Zé de Totô que logo depois, tomando na estrada com Antônio Batista, Manoel Batista e Francisco Mendonça moradores na fazenda dos Trigueiros bate mão ao Bacamarte e trava uma luta tremenda. Com um pouco de modéstia ele vai contando. Pulando para aqui e para ali, desviando-se de um golpe de foice de uma peixeira de um tiro certeiro, aos poucos põe em debandada, o grupo, deixando, entretanto, impossibilidade de fugir porque já se achava morto um deles, o Antônio Batista.

 Três meses depois estava absolvido. Pela morte de gente ruim o júri nunca condenou ninguém. na épocas que foram e que ainda hoje revivem quando se focaliza tipos como Zé de Totô. E quem tinha coragem de condenar Zé de Totô?

Na trilha do crime

Os tempos vão passando. A mesma vida. Luta com uma luta com outro, mais uma morte, menos uma morte, tudo era natural em Ingá do Bacamarte e os jurados conheciam de perto o ambiente. Tudo ficava impune em 1928, entretanto, o monstruoso crime de Lagoa do Remígio fez a justiça se movimentar. Tinha sido assassinado a tiros, dentro de seu próprio estabelecimento, o Coronel João Soares Chefe político de renome e cheio de amigos. O Coronel João Soares foi morto com um filho. Os bandidos em pleno dia de feira cercaram a sua casa e nada pouparam. Sabia-se que tinha sido um assalto organizado por Zé de Totô. Cumprem pena na cadeia apenas o famigerado Pilão - autor de várias mortes -  José Vieira, vulgo Rebuliço e mais uns 10 homens assalariados sem fama. Zé de Totô negando sua participação nesse crime não explica bem as coisas e Coincidências onde a sua figura aparece entre Pilão e seus companheiros horas antes do crime. Vieram outros assaltos na estrada de Cachoeira de cebolas, o fazendeiro Domício Leopoldo de Andrade é assaltado. Apezar de morto o motorista do seu Ford o Coronel Domício consegue fugir gravemente ferido.

Diferente de Lampião e Antônio Silvino

Zé de Totô continua negando a participação nos assaltos em que Pilão e Zé Luiz Aparecem. Mas a polícia sabe de tudo. Zé de Totô não aparecia nos assaltos. Não se fazia necessária à sua presença. Ele dava ordens e estas eram cumpridas. Ele não se banalizava. Era mais Sagaz do que Lampião e Antônio Silvino. Nunca marchava à frente de seu bando. Esses bandos marchavam sob a inspiração do Chefe.  A Sua Majestade no reino tenebroso do cangaço era indiscutida. Sabia Zé de Totô que a tática dos bandoleiros teria que mudar. Teria que se adaptar às novas circunstâncias criadas pela civilização. Essa cousa de bandos armados permanentemente era cousa do passado. Com boas estradas de ferro e de Rodagem com luz elétrica, em toda com polícias bem organizadas e melhor comandada, com tudo isso a serviço da ordem e da lei, a tática do crime teria que ser diferente e muito diferente a sua estratégia. Fazer amigos, protegendo fazendas e defendendo os que nada tinham era uma tática segura. Garantir bons esconderijos. Agir em pequenos grupos. Simultaneamente em vários setores. Dispersando-se em seguida. Era uma estratégia garantidora de pleno êxito. Garantia de sucesso. Em Terras tão vastas, as guerrilhas davam mais resultado. Em sua perseguição soldados organizados não conseguiriam nada. Assim é que Zé de Totô foi criando em torno de si uma lenda. Diziam que tinha corpo fechado. Que estava em toda parte. Que se encantava em um pé de marmeleiro. E de fato, o bandido era genial. No mato ninguém me batia. Sabia sair em qualquer lugar sem bússola, sem nada. Orientando-se apenas pelo seu instinto. Nunca dormia em casa. Nunca andava em estradas. Nunca confiou em amigos. Sempre vigilante. E os fazendeiros de Ingá precisando de uma figura lendária assim. Ainda faziam mais propaganda de Zé de Totô. Com isso o que acontecesse seria Zé de Totô o perseguido mesmo que nada tivesse com o peixe.

Cai a estrela do bandido

 Mas a boa sorte de Zé de Totô estava por pouco. Pouco depois de terem assassinado misteriosamente uma companheira de sua mulher, de nome Madalena, era a própria sua esposa que em primeiro de março de 1936 vítima de um trucidamento. Cortaram-lhe o pescoço. Chorou muito a morte de sua Leal companheira. Era ela quem tratava de todos os seus negócios vendendo gado, algodão e cereais, cuidando da fazenda e etc.  Com a sua morte Zé de Totô ficou desolado. Construiu uma capela no local do crime e mandou erguer um mausoléu no cemitério de Ingá. Bateu seca E meca à procura de uma mulher chamada Josefa Cirilo de quem suspeitou o crime. Josefa Cirilo era empregada de sua casa e logo depois do crime desaparecerá. Finalmente conseguiu encontra-la e meteu-lhe quatro balas de aço em nos intestinos. Deixou a Josefa Cirilo numa poça de sangue na linha da Great Western, certo de que estava bem morta. Mas o fato é que Josefa depois contava a história em Ingá. Completamente restabelecida dos tiros. Foi um fato de que se falou e ainda se fala em Ingá com assombração.  Como teria escapado Josefa Cirilo? ... Foi o seu organismo que era de Aço. Reagiu e salvou-se.  Zé de Totô ficou desolado. A sua mulher continuava morta e sem Vingança. E Zé de Totô cobria-se de lendas na crendice popular. Falando de sua mulher assassinada o bandido chora. Exaltou-se na descrição do acontecimento. E em seguida vem a crise. Era uma verdadeira criança. Rói até as unhas. Confundiu o repórter e até a polícia... sim, era um gesto de humanidade que ainda emergia daquele homem que viveu perigosamente sem sentir medo sem imaginar o que era a dor humana, e que agora entre quatro paredes reduzia-se a uma inexpressiva carcaça de velho no crepúsculo da vida.

Fuga do Ingá

Quando Zé Luiz, Ota Virgolino e Belinho Foram liquidados pela polícia do Doutor Manoel Morais e Coronel Ivo Borges então Zé de Totô viu que as cousas iam se tornando pretas para o seu lado. A polícia voltaria logo a procurá-lo e com maior insistência. Era um contra um Estado inteiro. E, depois estava amando novamente. Iraci de Araújo, com 19 anos apenas, acompanhando-o para toda parte cheia de Amor e confiança em seu marido, precisava ser poupada de uma sorte cruel. Encarregou amigos de venderem o que possuía em Ingá. Foi enganado. Deram-lhe pouco dinheiro por fazendas, algodão e gado. Mas quem foge da polícia paraibana não tem tempo a pensar em amigos falsos e Ursos. O principal era fugir. Deixar o Estado. Assim, dirigiu-se para o Ceará, indo fixar-se no município de Campos Sales. Onde comprou a propriedade denominada Bolandeira. A terra era boa e ele começou a plantar milho, feijão, arroz, algodão, criando cabras ovelhas e vacas. O homem -terror que ditava leis no surrão do Bacamarte estava transformado em um pacato criador e agricultor. Mas o crime não compensa. Aquelas vítimas que tinham ficado em sua história não deixavam o homem viver em paz. A polícia tinha que agir em nome da lei. Ninguém pode ficar impune. E, mais do que nunca era necessário acabar com a influência de Zé de Totô. No Ingá, frequentemente, apareciam pelas estradas cadáveres. Ninguém procurava identificar o morto que passava logo a ser a se chamar mais uma vítima de Zé de Totô. Cartas ameaçadoras eram dirigidas a fazendeiros como se partissem de Zé de Totô. Tudo se fazia sobre a proteção da fama de Zé de Totô. O homem agora preso, tudo isso desapareceram. E os bandoleiros Mirins serão logo desmoralizados. O bode expiatório desapareceu ...

A prisão

Afinal, na madrugada de 4 de maio chega a Campos Sales o major Jacob Frantz, o Sargento José de Souza e o soldado da Força policial da Paraíba e do Ceará. Zé de totó dormia quando ouviu o tropel na fazenda. Pressentiu, disse para mulher, estou liquidado, mas ainda há um jeito. Ouviu então os gritos de Renda-se e Bandido, Amém as metralhadoras se não falar liquidaremos tudo.  Com um filho de 12 anos por cima de si e com a sua jovem esposa ao seu lado pensou Zé de Totô em resistir. Foi um pensamento rápido. Logo lhe veio a ideia de garantir o futuro de sua família. E para que a “sua voz Não servisse de rumo aos tiros dos Soldados” mandou que sua mulher falasse. Dispôz-se mesmo a se entregar quando ouviu o major Jacob Frantz ordenar aos soldados que não maltratasse segundos o major Jacob Frantz estava ao seu lado algemando-o. Era o fim de tudo.

Pela primeira vez teve medo de morrer 

Quando em Lavras o carro que o conduzia parou na estrada, confessou Zé de Totô que tinha sentido pela primeira vez medo de morrer. Descia de um automóvel oficial do Dr. Manoel Morais, chefe de polícia da Paraíba, que desfrutava entre os bandidos o conceito de o mais temível perseguidor de cangaceiros. Textualmente Zé de Totô disse -   quando os meus olhos deram no homem gordo de cabelos grisalhos, eu senti que estava liquidado. Mas enganara-se, o Doutor Manoel Morais tratou como um cavalheiro. Hoje Zé de Totô entregou o seu destino ao Doutor Morais. Diz-se, abaixo de Deus só o Dr.  Morais pode resolver o destino de minha família, pois quanto ao meu confio na justiça humana...

 Pesam sobre Zé de Totô dezenas de crimes. Ele se defende, mas isso não quer dizer falta de culpa. Sua tática é atacar os bandidos que já morreram e não fazer alusão aos que estão vivos. Conservá-lo encarcerado será uma obra de profilaxia social. Zé de Totô é pronunciado nas comarcas de Areia, Ingá e Campina Grande.

A vida amorosa de Zé de Totô 

Dizia-se que Zé de era homem muito chegado as mulheres. Que era dado às conquistas. Mas, o Don Juan brejeiro contesta a opinião de seus julgadores. Era um pouco amigo de festas, gostava de cerveja. Não chegava a ser mesmo um barba azul. Era um amoroso. Um sentimental.  - Qual foi a mulher de quem mais você gostou? -  perguntamos: Zé de Totô fica meio perturbado e diz: O primeiro bocado é sempre o melhor. Minha primeira mulher era muito boa. Trabalhava em meio a 30 homens. Não fazia com preguiça, trabalhava com vontade. Fazia tudo por mim. Era o meu anjo da guarda. Muito religiosa e as suas rezas me protegiam. A segunda era uma doida, traiu-me. A terceira também. A quarta sim, é uma moça de família, bem educada e muito boa. A quarta é a Iraci.  A que acompanha agora.

Conheceu Iraci quando menina de 1 ano de idade, na casa do seu pai Bento Araújo, morador no Cedro, em Ingá, de quem era amigo. A menina cresceu. Fez-se moça. Quando chegou aos 17 Anos Zé de Totô levou-a para casar-se em Picos, no Ceará, sendo a cerimônia oficializada por um frade beneditino. Zé de Totô nunca teve filhos mas cria um sobrinho desde um ano. Chama-se Francisco Alonso de Oliveira aluno do Colégio Salesiano de Juazeiro Ceará. O menino tem Zé de Totô como seu pai. Iraci interrogada pelo repórter, disse que preferia Zé de Totô a qualquer branco de família. Entregara-se a ele por amor. Não vendo a sua fama. Pensava regenera-lo. Ele tinha no fundo bons sentimentos. Ela ia aproveitá-los. Mostrar-se Iraci com inteligência sendo, entretanto muito desconfiada com os repórteres. É uma mulher de verdade...

E assim deixamos Zé de Totô no xadrez triste e com aspecto normalíssimo de um mortal qualquer. Aquela coragem, aquela bravura, aquele temperamento, tudo nele tinha desaparecido. Trocando os campos por uma cela, quem sabe se poderá resistir a nostalgia do terror e da fama com seus Bem vividos 59 anos?  Hora Antônio Silvino ainda está aí contando lorotas..." (Diário de Pernambuco, Domingo, 21 de maio de 1944 páginas 3 e 8).


sábado, 27 de março de 2021

Maria Bonita: "Madame Pompadour do Cangaço"

 

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"Teem ahi os nossos leitores uma pose feita, com toda dignidade cinematográphica de uma Greta Garbo, pela famigerada Maria Oliveira, vulgo "Maris do Capitão", companheira do famoso bandoleiro "Lampeão."

"Maria do Capitão" é a unica pessoa do grupo que exerce ascendencia moral sobre o chefe cangaceiro. Por vezes, "Lampeão" hezita em lavrar uma sentença de morte e é ella sempre quem resolve em ultima instancia. Maria Oliveira, porém, raramente decide em favor do réu.

A photographia acima foi feita pelo sr. Benjamin Abrahão, cinematographista-amador e que a cedeu especialmente aos “Diarios Associados". Nella apparece a companheira de "Lampeão" trazendo o seu "tenue" domingueiro, os cabellos alisados a banha cheirosa, meias de algodão, sapatos "ressés" e seu vestido azul claro de linho.

Maria Oliveira posa em companhia de dois cães de estimação, um dos quaes, "Ligeiro", é o seu favorito."

Por occasião dos encontros do bando com a policia, emquanto os homens lutam e resistem, ella em companhia das outras mulheres do grupo, abre, nas caatingas cerradas, os caminhos por onde possam fugir os cangaceiros, ante a imminencia de se verem cercados.

- Os asseclas de "Lampeão" rendem-lhe as mais servis homenagens, tudo fazendo para não cair no desagrado dessa "Madame Pompadour do Cangaço, senhora de baraço e cutello dos sertões nordestinos".( Diário de Pernambuco, Recife, quarta-feira, 17 de fevereiro de 1937).

sexta-feira, 26 de março de 2021

CANGAÇO: Zé de Totò, Zé Luiz e o incrível caso da prisão de fazendeiros e políticos do Ingá,Pb e região

 

Cresci ouvindo histórias contadas por minha mãe sobre a ação criminosa dos cangaceiros aqui na cidade do Ingá. A riqueza dos detalhes de sua narrativa era tão fascinantes que eu até esquecia de brincar com outras crianças, e, acabava me perdendo no encantamento daquele mundo que pra mim não era muito diferente daquilo que eu assistia nos filmes de Bang Bang exibidos na Tv preto e branco. Naquele momento os personagens construídos em sua narrativa me eram apresentados apenas com seus nomes, suas ações... Ao mesmo tempo que se aproximavam, também se afastavam, pois não havia uma data, um referencia que os colocasse em um determinado tempo. E por isso a as narrativas para mim eram meio que contos de fada, ou melhor contos de terror.

Cangaceiro ingaense Zé de Toto

A verdade é que o Cangaço no Ingá existiu sim! A violência e o banditismo fazem parte sim da cultura e da identidade do lugar, e, que nós precisamos reconhecer sim essa parte de nossa história.

É importante que lembremos aqui ,que a ação dos cangaceiros não eram atos isolados, haviam conluios e cumplicidade entre eles e os fazendeiros (que nesse caso eram chamados de coiteiros) e parte da população. Raríssimas as vezes  na história do cangaço do Nordeste, os ricos, os proprietários, os “homens de bem” foram punidos por conluio com o cangaço. Porém, no caso do Ingá, o uso da violência cometida pelos bandoleiros era tão exacerbada que as autoridades tiveram que rever suas “normas” de comportamento com o intuito de ao menos minimizar as ações criminosas no município de Ingá e região.

Leia abaixo

Da Paraiba

RIO, 5 (A. M.) - Informam de João Pessoa: 26 Luiz e Zé Toto, dois conhecidos cangaceiros do nordeste, assassinaram, no Ingá, uma Indefesa mulher em seguida, fugiram auxiliados pelos coiteiros.

As autoridades estão agindo energicamente para prender alguns dos colteiros, inclusive 0 fazendeiro João Figueredo, figura de prestigio da politica decaida.

Uma verdadeira caravana de antigos politicos, chefiada pelo exInterventor, chegou ali, com o propósito de conseguir a liberdade dos presos. A pesar da informação de que os presos tinham sido acusados por motivo de ordem pública, O Juiz, coagido, concedeu-lhes ha. beas-corpus.

o interventor federal interino receando que os protetores dos colteiros e dos assassinos queiram provocar agitação no Estado, telegrafou ao sr. Rui Carneiro, que se encontra no Rio, comunicando a ocorrencia o solicitando providencias. (Diário de Pernambuco, quarta-feira, 6 de agosto de 1941).

Os coronéis e políticos locais, homens da mais alta estirpe, que foram associados aos bandidos como coiteiros foram presos, e para se livrarem das acusações contrataram os mais altos nomes da advocacia paraibana para se livrarem da cadeia.

Leia abaixo a impetração de harbies corpus feita pelos advogados dos acusados de coito ao cangaceiros.

1lmo. Sr. Dr. Juis de Direito da Comarca de Ingá

Os bachareis Argemiro de Figueiredo, Ernani Satyro, Accacio Figueiredo e Anastacio H. de Mello, advogados, residentes na cidade de Campina Grande, vêm requerer a v. s. uma ordem de habeas-corpus em favor de Eufrasio Alexandre, Americo Tito de Araujo, Manoel Nasci mento de Menezes, Lindolfo Almeida Santos, Zacharias Dias de Araujo, F'miliano Goncalves Mello, Manoel Travassos da Luz, Manoel Travassos da Luz N o, S verino de Azevedo Cruz, João Gualberto Gonçalves, José Rodrigues, Antonio Quaty, Octacilio Martins, Adherbal Moreira Rezende, Francisca Martins de Arruda, Antonio Rodrigues, conhecido por Sinho zinho Rodrigues, e Amelio de Azevedo Cruz ...............................

todos proprietarios, brasileiros, residentes neste municipio, que se encontram illegalmente detidos na cadeia publica desta cidade, por ordem do 'Te. Caetano Julio, da policia parahybana. Contra os pacientes não existe prisão em flagrante, prisão preventiva, pronuncia nem com demnação, unicas hypotheses em que se justificaria a sua detençao. (v. documentos juntos). Segundo estão seguramente informados os impetrantes, e é notorio nesta cidade, os pacientes estão detidos como suppostos coiteiros dos bandoleiros conhecidos por José de Toto e Jose Luiz, que se encontram actualmente indigitados no recente attentado criminal contra uma mulher, occorrido neste municipio. Os impetrantes requerem a v. s, que se digne considerar, desde logo, os pacientes postos á dis posição desse juizo , até se ultimar o regular processo do habeas-cor pus ora impetrado. Assim requeren para, sob a supposta allegação de que se trata de crime politico-social, evitar-se seja burlado o habeas corpus. Ouvindo a autoridade coactora, como dispõe a lei, Vos. Poderá bem convencer-se de que se não encartará na especie semelhante alegação.

Os impetrantes fundamentam o pedido nos arts. 122. inciso a Constituição Federal, 473 do Codigo do Processo Penal do Estado e demais leis suppletivas.

Nestes termos,

P.P. Deferimento.

CONCLUSAO

Com estes fundamentos, esperamos desse Egregio Tribunal, hoje, como sempre, uma decisão que consulte a causa da

JUSTICA

A presente contra-minuta está datada de Campina Grande, onde nos encontramos, seria imprudência nos dirigirmos novamente á cidade do Ingá.

Pelo telegrama estampado no DIARIO DE PERNAMBUCO, de 6 do corrente, de que juntamos um recorte, vê-se que novas violências se preparam contra os impetrantes.

Assinatura dos advogados dos acusados

É importante lembra aqui que a situação da violência no Ingá era tão particular, que o famigerado cangaceiro Antonio Silvino elegeu o lugar para manter seu Quartel general ou ponto de apoio. O lugar escolhido pelo bandoleiro foi a Serra do Surrão. Mas essa é outra história que contaremos em outro momento.

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